ONU amplia prazo para apuração de crimes em Gaza

A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas votou hoje em favor de dar mais cinco meses para que israelenses e palestinos realizem investigações independentes dos crimes de guerra supostamente cometidos durante um conflito ocorrido entre o fim de 2008 e o início de 2009.

AE-AP, Agencia Estado

26 de fevereiro de 2010 | 18h04

Caso isso não se concretize, a Assembleia Geral advertiu que ambos estarão sujeitos a "mais ações" de organismos da ONU, entre eles o Conselho de Segurança (CS).

A resolução, proposta pela Autoridade Nacional Palestina (ANP), foi aprovada hoje por 98 votos a favor, 7 contra e 31 abstenções. Representantes de 56 países não estiveram presentes, provavelmente pela dificuldade em se chegar à sede da ONU hoje, em meio a uma forte nevasca que atingiu a cidade de Nova York.

Riyad Mansour, observador palestino na ONU, qualificou a votação como "uma vitória das vítimas palestinas e do direito humanitário internacional".

Em novembro de 2009, a Assembleia Geral da ONU deu três meses para que israelenses e palestinos realizassem investigações "independentes e dignas de crédito" sobre as conclusões de um painel liderado pelo magistrado sul-africano Richard Goldstone.

O painel concluiu que tanto israelenses quanto palestinos cometeram crimes de guerra durante o conflito de três semanas ocorrido entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009 na Faixa de Gaza.

Em fevereiro, quando venceu o prazo dado em novembro, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, disse não ser possível determinar se israelenses e palestinos haviam conduzido as investigações tal como exigido. Gabriela Shalev, embaixadora israelense na ONU, reiterou a oposição do Estado judeu às conclusões apresentadas no relatório de Goldstone.

Mais de 1.400 palestinos morreram durante as três semanas de conflito. Militares israelenses afirmam que a maioria dos mortos era de militantes, enquanto os palestinos dizem que a maioria era de civis. No lado israelense, 13 soldados morreram.

Em março do ano passado, o grupo Centro Palestino de Direitos Humanos divulgou a identidade de 1.417 palestinos mortos durante a ofensiva, afirmando que 926 deles eram civis, 236 eram milicianos e 255 eram integrantes das forças locais de segurança.

Dias depois, o Exército de Israel contestou as denúncias de que a maior parte dos mortos fosse composta por civis.

Israel lançou a ofensiva com o objetivo declarado de interromper anos de lançamento de foguetes palestinos contra em sua fronteira.

O Exército usou força sem precedentes na pequena faixa mediterrânea, incluindo mais de 2 mil ataques a bomba e barragens de artilharia e morteiros contra militantes palestinos que operavam em áreas residenciais.

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