ONU amplia prazo para reduzir fome no mundo

O cumprimento do compromisso assumido pela Organização das Nações Unidas (ONU) de reduzir à metade até 2015 o número de 800 milhões de famintos no mundo será protelado por mais 15 anos.A informação da cúpula mundial da FAO, órgão da ONU para alimentação e agricultura, foi repassada a 302 organizações não-governamentais (ONGs) reunidas no Fórum Mundial de Soberania Alimentar, em Cuba. Na visão do economista Francisco Menezes, do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), o descumprimento da meta demonstra a incapacidade dos governos de cumprirem suas próprias determinações nesta área."A continuarem as políticas de exclusão, nem essa meta será cumprida. Na verdade, os números da FAO apontam para um crescimento do número de miseráveis", afirmou Menezes. Para tentar reverter a situação, as ONGs vão pressionar os governos para que a questão da fome passe a ocupar um papel importante na agenda social.O Fórum, no qual o Ibase foi o representante brasileiro, serviu como uma preparação para o encontro da ONU sobre alimentação e agricultura, previsto para o período de 4 a 8 de outubro, em Roma.Durante o encontro internacional, serão avaliadas as políticas públicas de redução do número de famintos. O encontro ainda é incerto. O governo do primeiro-ministro Sílvio Berlusconi teme manifestações e mostra-se reticente, apontando inclusive a possibilidade de a reunião ocorrer em outra cidade da Itália.Em 1996, também em Roma, os países membros da ONU assumiram o compromisso de reduzir à metade o número de pessoas atingidas pela fome.De acordo com Menezes, a FAO vai aproveitar a reunião para exigir dos países ricos que voltem a repassar recursos para os seus programas no Terceiro Mundo, principalmente na África. "Por falta de dinheiro, muitos programas estão paralisados." Na declaração final do Fórum, as ONGs comprometeram-se a exigir dos governos um código de conduta para que o comércio de alimentos não fique subordinado a questões financeiras e passe a ser considerado, de fato, um direito humano.

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