ONU anuncia acordo entre governo e oposição do Quênia

Chefe da delegação presidencial, no entanto, contradiz as Nações Unidas e diz que não há 'acordo definitivo'

Agências internacionais,

14 de fevereiro de 2008 | 14h56

O escritório da ONU no Quênia anunciou nesta quinta-feira, 14, que o governo e a oposição do país chegaram a um acordo cujos detalhes serão divulgados na sexta-feira, 15, pelo ex-secretário geral das Nações Unidas, Kofi Annan, mediador da crise política local. No entanto, não há um consenso em relação ao acordo. Segundo a agência France Press, a chefe da delegação presidencial, Martha Karua, afirmou nesta quinta que nenhum "acordo definitivo" foi concluído até o momento.  Veja também: Entenda o conflito no Quênia  Em um breve comunicado, o porta-voz das Nações Unidas no Quênia, Nasser Ega-Musa, assegurou que Annan voltará na sexta-feira a Nairóbi "procedente do lugar onde as negociações são realizadas", um hotel ao sul da cidade litorânea de Mombaça. Ega-Musa acrescentou que Annan explicará às 17 horas, no horário local, de sexta-feira (12h de Brasília), o conteúdo do acordo "que as duas partes chegaram após 15 dias de conversas". Sexta-feira seria a data limite do prazo fixado por Annan em seu planejamento para que o governo e a oposição do Quênia resolvessem a mais grave crise política e social já vivida nesta ex-colônia britânica desde sua independência, em 1963. Nos últimos dias, as negociações vêm sendo realizadas em um local secreto por pedido expresso da equipe de mediadores presidida por Annan, que também pediu às partes para que mantenham um isolamento informativo para não afetar o diálogo.  O governo queniano e o Movimento Democrático Laranja (ODM) mantêm um conflito político desde as eleições gerais realizadas no dia 27 de dezembro. A Comissão Eleitoral do Quênia deu a vitória ao presidente queniano, Mwai Kibaki, em detrimento de seu principal rival, favorito nas pesquisas e líder do ODM, Raila Odinga, que denunciou irregularidades cometidas na apuração dos votos. Por causa das eleições, uma onda de violência se abateu sobre o Quênia e provocou a morte de mais de mil pessoas e o deslocamento de outras 300 mil por todo o país, especialmente nas regiões ocidentais, reduto tradicional de Odinga. Desde o início das negociações, a oposição exige que Kibaki abandone o poder, enquanto o governo queniano pede que o presidente do país seja reconhecido como chefe de Estado.

Tudo o que sabemos sobre:
QuêniaacordoKofi Annan

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.