ONU anuncia envio de equipe humanitária ao Sri Lanka

Mortes de civis aumentam rapidamente no conflito entre rebeldes e Exército, diz a ONG Médicos sem Fronteiras

Associated Press e Efe,

23 de abril de 2009 | 11h22

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, anunciou nesta quinta-feira, 23,o envio imediato de uma equipe das Nações Unidas ao Sri Lanka para que determine as necessidades humanitárias da população, que sofre as consequências dos confrontos entre o Exército e os Tigres de Libertação da Pátria Tâmil (LTTE). O secretário-geral da ONU advertiu sobre a "rápida deterioração da situação", e fez uma chamada às partes para que parem as hostilidades.

 

Em entrevista coletiva após a conferência de doadores para a Somália, o secretário-geral pediu que seja feito "tudo o possível" para proteger a população. Pelo menos cinco supostos guerrilheiros tâmeis e um soldado morreram nas últimas 24 horas na ofensiva que o Exército mantém no nordeste do Sri Lanka, que disse ter "resgatado" cerca de 103 mil civis desde segunda-feira. O Exército cingalês enfrentou na véspera a guerrilha do LTTE na localidade de Pudumathalan e, em uma operação de busca posterior, descobriu os cadáveres de cinco guerrilheiros.

 

As mortes de civis aumentam rapidamente na zona de guerra do Sri Lanka, apesar do êxodo de dezenas de milhares de pessoas, denunciou nesta quinta-feira o grupo humanitário Médicos Sem Fronteira. As tropas do governo enfrentam rebeldes separatistas, em uma guerra civil de 25 anos.

 

O Conselho de Segurança das Nações Unidas demonstrou preocupação com o sofrimento dos civis, aprisionados ao longo de uma zona no nordeste do Sri Lanka, e pediu que o Exército de Libertação dos Tigres do Tamil Eelam (LTTE) entregue suas armas, renuncie ao terrorismo e participe de negociações para encerrar o conflito. O Conselho de Segurança também pediu que o governo permita que as agências internacionais entrem em contato com os afetados pelos confrontos.

 

Os militares afirmam que 102.790 civis escaparam da zona de conflito, entre a segunda-feira e a tarde da quarta-feira. Porém acredita-se que ainda estejam na área outras dezenas de milhares de pessoas. O grupo de auxílio Médicos Sem Fronteira afirmou que um número crescente de civis gravemente feridos tem chegado ao hospital perto da zona de confronto. "Nós temos visto pacientes seriamente feridos, os números de pacientes têm aumentado rapidamente nos últimos três ou quatro dias", avaliou Paul McMaster, um cirurgião, em entrevista divulgada pelo grupo sediado na Suíça.

 

McMaster apontou que o hospital com 450 leitos agora tem mais de 1.700 pacientes, muitos deixados no chão, em corredores e até fora do edifício. "Aproximadamente três quartos dos feridos chegando agora sofreram ferimentos de explosões, e o restante são ferimentos de balas e explosões de minas", disse o médico.

 

Na quarta-feira, uma porta-voz da Cruz Vermelha disse que aproximadamente mil pessoas gravemente feridas precisavam ser retiradas da área, para receber melhor tratamento. Apenas dois hospitais precários funcionam na zona de guerra. A ONU estima que mais de 4.500 civis morreram nos últimos três meses. É impossível obter outros relatos da área, porque a entrada de jornalistas é proibida.

 

Nos últimos meses, as tropas tomaram várias posições dos rebeldes, que agora ocupam apenas uma zona de 20 quilômetros quadrados. As tropas já entraram na área para combater os rebeldes restantes e libertar civis. O governo também ignora os chamados para interromper os confrontos para que mais civis possam fugir. As tropas oficiais afirmam que estão prestes a derrotar o LTTE. Os rebeldes lutam para criar um território independente para a minoria étnica tâmil, que enfrenta décadas de marginalização por sucessivos governos controlados por cingaleses étnicos. Mais de 70 mil pessoas foram mortas na violência.

Auxílio Internacional

O governo do Sri Lanka pediu hoje auxílio internacional para o que qualificou como "situação de emergência humanitária". O apelo foi feito após a denúncia do Médicos Sem Fronteira. Apesar da crise, o governo não disse ainda se permitirá que os grupos humanitários entrem na zona de conflito. Desde setembro, apenas o Comitê Internacional da Cruz Vermelha tem acesso à área. O ministro de Relações Exteriores, Rohitha Bogollagama, disse que o governo trabalha para melhorar as condições dos civis afetados. Bogollagama qualificou o fluxo de pessoas da região nos últimos dias como uma "situação de emergência humanitária".

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