ONU anuncia trégua entre rebeldes e Assad

Cessar-fogo não será monitorado por observadores e é visto com ressalvas por opositores, que acusam regime de tentar ganhar tempo

CAIRO, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2012 | 03h08

O enviado especial da ONU para a crise na Síria, Lakhdar Brahimi, anunciou ontem, no Egito, um cessar-fogo entre rebeldes e o regime de Bashar Assad durante o feriado islâmico Eid al-Adha, que começa amanhã. O Conselho de Segurança da ONU endossou a trégua, mas o Exército sírio disse que uma decisão final seria tomada apenas hoje. Comandantes rebeldes questionam o comprometimento de Assad com a medida.

De acordo com Brahimi, ambas as partes concordaram em respeitar a trégua. "A maioria dos grupos rebeldes com os quais entramos em contato concorda com o princípio do cessar-fogo", disse o mediador, ao lado do ex-presidente dos EUA Jimmy Carter, da ex-líder irlandesa Mary Robinson e do secretário-geral da Liga Árabe, Nabil al-Araby. "Esperamos que, com essa iniciativa, possamos construir um cessar-fogo verdadeiro, longo e forte."

Brahimi, que assumiu o cargo em setembro, tenta obter um acordo de paz na Síria. Seu antecessor, Kofi Annan, renunciou por não conseguir resultados eficazes. Ainda não está claro como a trégua de Brahimi seria monitorada, uma vez que o Conselho de Segurança da ONU retirou seus observadores independentes da Síria.

Na sede da ONU, o presidente do Conselho de Segurança, o guatemalteco Gert Rosenthal, disse que o cessar-fogo é voluntário. "Pedimos que ambas as partes envolvidas no conflito respondam positivamente à iniciativa. Todos os atores regionais e internacionais devem usar sua influência para facilitar a implementação do plano." A ONU estima que mais de 2,5 milhões de civis sírios precisam de ajuda com urgência.

O embaixador da Rússia na ONU, Vitali Churkin, disse ter indicações de que Assad teria concordado com o cessar-fogo. O Exército sírio disse, por meio de comunicado na TV estatal, que anunciaria hoje a sua decisão. A Rússia, principal aliada de Assad, tem bloqueado sucessivas medidas contra a Síria na ONU.

A representante americana nas Nações Unidas, Susan Rice, disse, por meio de sua conta no Twitter, que os Estados Unidos apoiam firmemente a proposta de Brahimi.

"O governo (sírio) precisa tomar o primeiro passo", escreveu. "As atrocidades do regime estão crescendo e ameaçando a estabilidade da região."

Do lado rebelde, há grande desconfiança sobre o compromisso do regime com a trégua. Para os principais comandantes do Exército Sírio Livre (ESL), Assad tenta ganhar tempo ao selar um compromisso com Brahimi e reagrupar suas tropas.

"O regime não tem nenhuma credibilidade", afirmou Saad al-Din, chefe do conselho do ESL em Homs. "Nosso plano é lutar até que o regime caia. Brahimi é um diplomata e não tem condições de verificar a trégua."

Ontem, 6 pessoas morreram e 20 ficaram feridas na explosão de um carro-bomba no sul de Damasco. A TV estatal síria responsabilizou terroristas, como se refere aos rebeldes, pelo ataque. / NYT

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.