ONU aprova criação de força multinacional para a Libéria

O Conselho de Segurança da ONU aprovou na noite desta sexta-feira a criação de uma força multinacional de paz para ajudar a pôr fim aos combates na Libéria. A resolução autoriza a força multinacional a permanecer na Libéria durante dois meses, para ser substituída por uma força de paz da ONU antes de 1º de outubro. Os EUA havia pressionado o Conselho de Segurança a aprovar a resolução em 24 horas. França, Alemanha e México se abstiveram de votar por causa da inclusão, pelos EUA, de uma cláusula para evitar que seus cidadãos sejam julgados pelo Tribunal Penal Internacional, criado para julgar crimes contra a humanidade. A força de emergência foi aprovada ao mesmo tempo em que os governos da África Ocidental se preparam para enviar o primeiro contingente de tropas de paz nigerianas à Libéria na segunda-feira. Ministros de governos oeste-africanos iniciaram nesta quinta-feira uma missão para pressionar o presidente Charles Taylor a renunciar como prometido, e chegaram à devastada capital liberiana, Monróvia, onde intensos combates entre as tropas do governo e os rebeldes voltaram a ser travados, matando 12 civis, entre eles 4 crianças e 1 mulher grávida. Taylor evitou a delegação e enviou uma mensagem aos ministros de Gana, Togo e Nigéria dizendo que poderia encontrá-los somente amanhã. O presidente liberiano viajou inesperadamente para o porto de Buchanan, a sudeste da capital, onde suas forças combatiam os rebeldes, que nos últimos dois meses intensificaram sua campanha, iniciada há três anos, para depor Taylor. A delegação entregará uma mensagem a Taylor, segundo a qual ele deve deixar o poder até quinta-feira, três dias após a chegada do primeiro contingente de uma força de paz oeste-africana. O desaparecimento de Taylor aumentou a tensão na capital por causa dos rumores de que ele teria deixado o país. Taylor, acusado de crimes de guerra pela ONU, prometeu partir após o envio da força de paz e aceitou a oferta de exílio na Nigéria.

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