ONU aprova envio de força de 26 mil homens para Darfur

Força híbrida será a maior missão de paz da história; capacidade total deve ser atingida até o fim do ano

Efe, Associated Press e Agência Estado,

31 Julho 2007 | 17h05

O Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou por unanimidade nesta terça-feira, 31, o envio de uma força de paz formada por 26 mil homens para a região de Darfur, no Sudão, a maior já criada pela ONU.   Veja Também Na ONU, Brown critica lentidão no desenvolvimento global O histórico de conflitos no Sudão   Este é o primeiro passo concreto tomado pela comunidade internacional para tentar conter um dos mais violentos conflitos da atualidade.   A violência em Darfur começou em 2003, quando a população local, africana, pegou em armas contra o governo central do Sudão, controlado por sudaneses árabes. A capital do país, Cartum, retaliou mandando milícias árabes à região, que perpetraram vários massacres, estupros e assassinatos contra a população civil.   Chamada de o primeiro genocídio do século 21, a guerra civil sudanesa já custou a vida de centenas de milhares de pessoas. Fala-se em 200 mil mortos, mas, segundo o Washington Post, esse número pode chegar aos 450 mil. Estima-se, ainda, que outras 2 milhões tiveram que abandonar suas casas.   A resolução aprovada nesta terça-feira foi apresentada pela França, Reino Unido e Eslováquia, com o apoio dos Estados Unidos. Ela pede que seja enviada à região uma força híbrida formada por tropas da ONU e da União Africana.   As unidades devem substituir os 7 mil homens atualmente em Darfur até o dia 31 de dezembro.   O Conselho exortou a missão UA-ONU a desenvolver "sua plena capacidade operacional e força efetiva o quanto antes, a partir dessa data."   O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que a "operação histórica e sem precedentes" enviará "um mensagem clara e poderosa" de ajuda ao povo de Darfur e das regiões vizinhas. Segundo ele, o objetivo é "encerrar esse trágico capítulo da história do Sudão".   Novo esforço   Embora amplamente comemorada pelos membros do Conselho de Segurança da ONU, a resolução aprovada nesta terça-feira é um novo capítulo nas já inúmeras tentativas e apelos para a estabilização da região.   Entre as iniciativas está um acordo de paz assinado há cerca de um ano pelo governo e um dos grupos rebeldes em atuação em Darfur. Considerado insuficiente por outras milícias, o trato não teve efeito.   Desde novembro, entretanto, a ONU e potências ocidentais vinham pressionando o governo sudanês para que o plano para o envio da força híbrida fosse aceito. Após meses de impasse, o presidente do Sudão, Omar al-Bashir, concordou com um pacote para fortalecer as tropas da União Africana já presentes na região.   A resolução, que previa o envio inicial de 3 mil homens da ONU, deu as bases para a aprovação do texto proposto nesta terça-feira.   Batizada de UNAMID, a nova força de paz terá 19.555 soldados, 3.722 policiais e uma força especial de 2.660 homens.   Reação   Na semana passada, o embaixador do Sudão na ONU, Abdalmahmood Abdalhaleem Mohamad, reagiu com dureza às versões iniciais do texto, classificando-o de "feio" e "horroroso".   A versão final da resolução tem uma seção sob o Capítulo 7 da Carta da ONU, que dá respaldo para a utilização da força caso as medidas propostas não sejam cumpridas.   Ela autoriza, ainda, a UNAMID a usar "a ação necessária" para proteger e garantir a livre circulação de seu pessoal e agentes humanitários.   Por fim, o texto aprova a adoção de medidas de força para "a implementação efetiva do Acordo de Paz de Darfur e a prevenção para que este não seja rompido, assim como a proteção de civis de ataques armados".

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