Eduardo Munoz/Reuters
Eduardo Munoz/Reuters

ONU aprova envio de missão de paz para República Centro-Africana

Proposta da França foi aprovada por unanimidade; 10 mil soldados irão para o país africano em setembro

O Estado de S. Paulo,

10 de abril de 2014 | 12h42

NAÇÕES UNIDAS - O Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou por unanimidade nesta quinta-feira, 10, o envio de cerca de 12 mil homens das forças de paz para a República Centro-Africana, que enfrenta uma onda de conflitos entre cristãos e muçulmanos desde o final do ano passado.

A medida, proposta pela França, prevê o envio em 15 de setembro de uma força de manutenção da paz de 10 mil soldados e 1.800 policiais para tentar estabilizar o país, que sofre uma grave onda de violência e instabilidade há mais de um ano. O embaixador da França na ONU, Gérard Araud, afirmou após a votação que a questão fundamental agora é "levar os soldados ao local de operações o mais rápido possível".

Os 2 mil soldados franceses que já estão na República Centro-Africana ajudando no processo de paz foram autorizados a utilizar "todos os métodos necessários" para dar suporte às forças da ONU.

A resolução expressa a preocupação dos membros da ONU com as múltiplas violações de direitos humanos cometidas tanto pelos cristãos como pelos muçulmanos, como homicídios, sequestros, prisões arbitrárias, tortura, estupros contra mulheres e crianças e ataques aos locais de culto.

O documento exige que "todas as milícias e grupos armados coloquem de lado suas armas e cessem todas as formas de violência e atividades desestabilizadoras imediatamente e libertem as crianças de sua fileiras". Na manhã desta quinta, um padre da cidade de Dekoa disse que um confronto entre as milícias deixou ao menos 30 mortos e obrigaram dezenas de pessoas a fugirem de sua casas.

A República Centro-Africana sofre desde dezembro uma crise de violência protagonizada por milícias muçulmanas, partidárias do ex-grupo rebelde Seleka, e cristãs, denominadas Anti-Balaka. A coalizão Seleka, composta por quatro grupos rebeldes, pegou em armas no norte do país em dezembro de 2012 ao considerar que o então presidente, François Bozizé, não tinha respeitado os acordos de paz assinados em 2007.

A capital, Bangui, foi tomada em março de 2013 pela coalizão rebelde, que assumiu o poder após a fuga de Bozizé, deposto.

No final de 2013, as milícias cristãs Anti-Balaka se levantaram contra os partidários do Seleka e a população muçulmana em geral, em represália pelos abusos cometidos pelos rebeldes durante os meses em que estiveram no poder. Segundo a ONU, a crise gerou 760 mil deslocados internos e mais de 300 mil refugiados (muitos deles muçulmanos) em países vizinhos, causando problemas em países como Chade, Camarões e República Democrática do Congo./ EFE e AP

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