ONU APROVA ENVIO DE OBSERVADORES À SÍRIA PARA MONITORAR TRÉGUA

Confrontos esporádicos e atentados ainda causam mortes entre civis e militares

LOURIVAL SANTANNA, ENVIADO ESPECIAL , DAMASCO, , O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2012 | 03h02

Por unanimidade, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou ontem o envio de uma missão de observadores à Síria para monitorar o frágil cessar-fogo em vigor desde quinta-feira. Militares leais ao regime denunciaram ataques terroristas dos rebeldes, que por sua vez alertaram sobre novo bombardeio contra a cidade de Homs.

Pela primeira vez desde o início da crise, há 13 meses, China e Rússia juntaram-se aos outros 13 membros do Conselho de Segurança e votaram a favor da resolução, que condenou as "amplas violações dos direitos humanos" na Síria e os abusos cometidos "pelos grupos armados".

Mas o embaixador russo, Vitali Churkin, deixou claro que há limites nas ações da ONU que Moscou poderá apoiar. Ele advertiu contra "tentativas destrutivas de interferências externas" na Síria. E pediu ao Conselho de Segurança que exorte tanto a oposição quanto o governo sírio a mudar seu comportamento.

"Com esse voto a favor dos 15, o Conselho de Segurança mostrou que julgará a Síria por suas ações, não por suas palavras", afirmou a embaixadora dos EUA na ONU, Susan Rice. "A oportunidade está aí. A responsabilidade agora recai sobre a Síria", acrescentou.

Inicialmente, serão enviados 30 observadores, que devem partir ainda hoje para Damasco. Outros 25 viajarão nos próximos dias. O mediador da ONU e da Liga Árabe para a crise síria, Kofi Annan, pretende que a equipe de observadores chegue a 250. O texto da resolução pede a ambas as partes do conflito que assegurem que a missão avançada possa realizar suas funções.

O cessar-fogo em vigor desde a manhã de quinta-feira diminuiu a intensidade do conflito armado na Síria, mas continua havendo mortos, tanto em combates isolados quanto em atentados. Um general foi morto em um atentado ontem de manhã na periferia de Damasco, e 16 corpos de militares saíram só do Hospital Tishrin, na capital, informou ao Estado o seu diretor, um general que pediu para não ser identificado.

De acordo com ativistas de oposição, um homem foi morto em um ataque do Exército em Homs, aumentando para 13 o número de mortos pelas forças leais ao regime desde a quinta-feira.

Homs, um dos epicentros do conflito, no centro-oeste da Síria, foi alvo de disparos de canhões a partir da noite de sexta-feira e durante a manhã de ontem, segundo o ativista Tarek Badrakhan. Ele disse à Associated Presster visto fumaça saindo de um prédio no bairro de Juret al-Shayat.

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