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ONU aprova investigação sobre massacre de Hula, na Síria

Brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro irá liderar o processo

Jamil Chade, Correspondente, O Estado de S. Paulo,

01 de junho de 2012 | 12h50

GENEBRA - A ONU aprovou nesta sexta-feira, 1, por ampla maioria uma resolução que dá ao brasileiro Paulo Sergio Pinheiro o mandato de investigar o massacre de Hula, que fez 108 mortos há uma semana na Síria, e revelar os nomes dos responsáveis. Apenas Rússia, China e Cuba votaram contra o projeto, alegando que a investigação de Pinheiro seria usada politicamente para justificar uma eventual ação militar e que não seria imparcial.

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Em Hula, 49 dos mortos eram crianças de menos de dez anos. Segundo investigações iniciais conduzidas pela ONU, a maioria das vítimas foi executada, com o envolvimento de milícias pró-Assad. Uma reunião de emergência no Conselho de Direitos Humanos da ONU foi convocada, com a meta de condenar o massacre e aprovar um novo mandato para Pinheiro, como o Estado revelou com exclusividade.

Navi Pillay, alta comissária de Direitos Humanos da ONU, alertou que os indícios são de que Hula seria um "crime contra a humanidade e pode ser a indicação do padrão de ataques sistemáticos contra civis".

O governo sírio insistiu que o massacre havia sido cometido por "terroristas" e negou o envolvimento do estado. Faysal Hamoui, embaixador sírio, acusou governos estrangeiros de terem incentivado esses grupos e rejeitou a tese da ONU. "Não sei como chegaram a essa conclusão estando em Genebra", acusou. Segundo o diplomata, os terroristas buscavam criar uma zona tampão para a ação da oposição, fora do controle do estado.

O sírio ainda usou a reunião para acusar os países do Golfo e o Ocidente de estar enviando "navios inteiros de armas modernas, muitas delas fabricadas em Israel". O massacre, segundo ele, teria ainda o objetivo de criar condições para que Assad seja pressionado na ONU.

A embaixadora dos Estados Unidos, Eileen Donahoe, chamou a atitude síria de "cínica" e insistiu que existem provas de que as armas usadas eram do regime. "Esse foi o mais claro indiciamento do regime", alertou.

"Hula não é só mais um incidente. É o momento da verdade para a comunidade internacional e para aqueles que não apoiaram a resolução", declarou Eileen, insistindo que o "momento é decisivo para a Rússia em sua relação com a Síria.

Mas para o embaixador russo, Alexey Borodavkin, a manobra de dar a Pinheiro o mandato seria uma iniciatia política justamente para minar a mediação de Kofi Annan. "Seria apenas duplicar o trabalho da ONU", disse, em uma referência ao grupo de observadores das Nações Unidas que já está na Síria. Para Moscou, que votou contra o projeto, a iniciativa tem objetivos políticos.

"Tememos que países queiram determinar os culpados pelo massacre antes de uma investigação e usar a tragédia em favor de seus interesses unilaterais", disse. Para ele, a missão de Pnheiro minaria a ação de Annan e o mais recomendável seria suspender a ação do brasileiro. Moscou ainda denunciou o uso do Conselho da ONU para tentar justificar uma ação militar na Síria. 

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