ONU aprova novas sanções contra Irã em processo que deixa o Brasil isolado

O Brasil votou contra a quarta rodada de sanções ao Irã aprovada ontem no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Apenas a Turquia adotou posição igual à dos brasileiros, enquanto o Líbano se absteve. Os outros 12 países, incluindo os cinco membros permanentes do Conselho, votaram em favor da Resolução 1.929, que busca frear o programa nuclear iraniano.

Gustavo Chacra, CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2010 | 00h00

 

 

 

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De acordo com a nova resolução, haverá mais restrições às atividades militares e financeiras do que nas três anteriores. Seguirá o embargo de venda de armas ao país e haverá mais rigor na inspeção de navios que utilizem portos iranianos - num esforço para que Teerã não receba insumos que possam ser usados em seu programa atômico. Um dos anexos do documento lista 40 entidades suspeitas de financiar atividades nucleares do Irã que terão os bens congelados, 15 das quais controladas pela Guarda Revolucionária.

Depois da votação, embaixadores dos EUA, França e Grã-Bretanha celebraram o resultado como uma vitória, apesar de esta ter sido a primeira resolução contra o Irã com votos contrários - as anteriores tiveram apenas abstenções, além dos favoráveis. Já os representantes do Brasil e da Turquia, isolados na oposição às sanções, deixaram o conselho sem falar com jornalistas. Os dois países defendiam mais negociações e fizeram um acordo com os iranianos em maio para que parte do urânio do Irã fosse enriquecido no exterior. Na visão deles, o pacto - rejeitado pelas potências lideradas pelos EUA - poderia ajudar na construção de confiança entre os lados envolvidos na questão nuclear iraniana.

Em Teerã, o presidente Mahmoud Ahmadinejad reagiu com ironia à aprovação do texto: "A resolução não vale um centavo e deveria ser jogada no lixo." O texto ficou aquém do que pretendiam os americanos, que cederam para obter o apoio de China e Rússia, mais reticentes com o endurecimento das sanções. O Brasil não participou das negociações técnicas para a elaboração do documento. Apesar disso, como membro da ONU, o governo brasileiro está obrigado a cumprir as determinações.

Antes de a votação ser iniciada, a embaixadora brasileira, Maria Luiz Viotti, justificou a posição do País. "O Brasil votará contra a resolução. Ao fazer isso, honraremos os esforços que resultaram na Declaração de Teerã de 17 de maio. Nós não vemos as sanções como um instrumento eficiente neste caso. As sanções provavelmente levarão a mais sofrimento do povo iraniano", disse a diplomata.

Em seguida, iniciou-se a votação. Todos os diplomatas puderam explicar seus votos. A maior parte dos membros frisou a importância dos esforços da Turquia e do Brasil, mas os consideraram insuficiente.

Ao ser questionada pelo Estado se os EUA estavam decepcionados com a posição brasileira e turca, a embaixadora americana na ONU, Susan Rice, respondeu que "as decisões de Brasil e Turquia são um direito soberano".

No entanto, segundo outro diplomata americano do CS, que pediu para não ser identificado, "um país que aspira ter um papel de liderança global deveria defender o sistema internacional e suas regras, não quem as viola".

O embaixador iraniano, Mohammad Khazee, reafirmou que "o Irã está determinado a usar o seu direito à tecnologia nuclear para fins pacíficos".

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Instituições internacionais

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