ONU aprova readmissão da Líbia no Conselho de Direitos Humanos

País havia sido expulso do órgão quando iniciaram os ataques de Muamar Kadafi à oposição

Efe

18 de novembro de 2011 | 17h13

NOVA YORK - A Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou nesta sexta-feira, 18, a readmissão da Líbia no Conselho de Direitos Humanos da organização, em uma votação na qual Bolívia, Equador, Nicarágua e Venezuela votaram contra a medida.

 

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A readmissão da Líbia nesse órgão, do qual foi expulsa quando começaram os conflitos que culminaram com a queda do ditador Muamar Kadafi, foi adotada com o voto a favor de 123 países, quatro votos contra e a abstenção de outros seis países, entre eles Cuba.

 

"Acolhemos com boa vontade os compromissos assumidos pela Líbia de cumprir suas obrigações em virtude das normas internacionais de direitos humanos, promover e proteger os direitos humanos, a democracia e o Estado de direito", assinala a resolução pela qual se readmite Trípoli nesse órgão.

 

O embaixador venezuelano na ONU, Jorge Valero, explicou perante a Assembleia Geral que sua rejeição aconteceu porque "o Conselho Nacional de Transição (CNT) líbio não representa legitimamente o povo da Líbia" e porque nesse país ocorreram "graves violações dos direitos humanos sob a aprovação do CNT".

 

"Devemos condenar assim a maneira em que aconteceu o covarde assassinato do líder líbio, Muamar Kadafi, e também como se mostrou seu corpo e o de outros líderes numa espécie de espetáculo, algo que vai contra os valores básicos de qualquer religião que existe no planeta", assegurou o diplomata venezuelano.

 

Valero assinalou que seu país se opôs à exclusão da Líbia em fevereiro passado do Conselho, já que esse movimento foi "uma tentativa dos poderes imperialistas para abrir caminho para uma maior intervenção internacional como finalmente aconteceu em um país soberano, no qual se impôs um Governo pela força e pela intervenção estrangeira".

 

A delegação cubana assinalou que sua abstenção se deve também "à manipulação deste assunto que se faz nos órgãos da ONU, particularmente nas resoluções do Conselho de Segurança que permitiram à Otan violar o direito internacional". Além de Cuba, também se abstiveram na votação da resolução que readmite Trípoli nesse importante órgão da ONU com sede em Genebra os representantes de Antígua e Barbuda, Bahamas, Barbados, Botsuana e Vietnã.

 

Já os representantes da União Europeia (UE) e dos Estados Unidos mostraram sua satisfação com a readmissão da Líbia no Conselho de Direitos Humanos, embora tenham pedido às novas autoridades líbias que velem pelo respeito dos direitos humanos na nova etapa após a derrocada de Kadafi.

 

A Líbia foi suspensa em fevereiro do Conselho de Direitos Humanos da ONU devido às violações dos direitos humanos realizadas pelo regime de Kadafi como reação aos protestos no país.

 

A readmissão da Líbia foi possível graças a uma resolução da Assembleia patrocinada por vários países árabes, como Egito, Emirados Árabes Unidos, Catar, Iraque, Jordânia e Líbano, entre outras nações, e que foi adotada em uma sessão na qual participaram 133 dos 193 Estados-membros da ONU. 

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