ONU aprova resolução sobre combate ao EI

Em uma demonstração de unidade, o Conselho de Segurança da ONU aprovou ontem por unanimidade resolução que classifica o Estado Islâmico (EI) como uma "ameaça global e sem precedentes" à paz internacional e conclama os países membros a adotarem "todas as medidas necessárias" para suprimir atos terroristas promovidos pelo grupo, dentro dos limites da Carta da ONU.

Cláudia Trevisan, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2015 | 02h00

A resolução foi proposta pela França, vítima do mais recente ataque do EI, que deixou 130 mortos em Paris no dia 13. Os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança abandonaram divergências sobre como responder à guerra civil na Síria e se uniram em torno do documento. Tentativas anteriores de obter uma posição da entidade sobre o assunto esbarraram nos vetos da Rússia, principal aliada do presidente sírio Bashar Assad. Os dez integrantes com assentos rotativos na instituição também votaram a favor da resolução.

"Essa resolução cria as condições para uma mobilização internacional" no combate ao terrorismo, declarou no início da reunião o representante permanente da França na ONU, François Delattre. Segundo ele, seu país irá triplicar nos próximos dias a capacidade de realizar bombardeiros aéreos contra posições do Estado Islâmico na Síria, graças ao deslocamento do porta-aviões Charles de Gaulle. "Os atentados de 13 de novembro constituem uma agressão armada contra a França.".

Allen Weiner, professor de Direito Internacional da Universidade de Stanford, disse ao Estado que a resolução é relevante pela mensagem de unidade política que transmite, mas não representa uma autorização para o uso de força. Weiner observou que muitos países já intervieram militarmente na Síria, cada um com sua própria interpretação das regras internacionais.

"Os Estados Unidos e a França justificam suas ações com o exercício do direito individual ou coletivo de autodefesa, sob o argumento de que o governo sírio não tem condições de afastar a ameaça terrorista", disse. "A Rússia acredita que pode agir por ter o consentimento de Assad." A possibilidade de distintas interpretações continuará a existir, mesmo com a resolução de ontem.

Por pressão da Rússia, a proposta original da França foi modificada para afastar a possibilidade de o texto ser lido como uma ampla autorização para o uso de força militar na Síria sem autorização de Assad.

Na próxima semana, o presidente francês, François Hollande, avançará na consolidação dessa unidade com visitas aos Estados Unidos e à Rússia, nas quais se encontrará com os presidentes Barack Obama e Vladimir Putin. "Antes de Moscou, o presidente francês visitará Washington e nós consideramos isso como a criação de uma ampla coalizão de combate ao terrorismo", disse ontem o assessor de Putin Yuri Ushakov.

Negociado durante todo o dia de ontem, o texto da resolução foi aprovado logo na abertura da sessão, às 17h30 (20h30 no horário de Brasília). Em seguida, os representantes dos 15 países que participam do Conselho de Segurança se manifestaram a favor da proposta.

Tudo o que sabemos sobre:
O Estado de S. Paulo

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.