ONU assume missão de paz na República Centro-Africana

A Organização das Nações Unidas (ONU) assumiu a missão de paz na República Centro-Africana nesta segunda-feira, nove meses após o início de uma onda de violência sectária que já deixou 5 mil pessoas mortas e forçou dezenas de milhares de muçulmanos a se refugiar em países vizinhos.

Estadão Conteúdo

15 de setembro de 2014 | 18h14

Cerca de 1.800 soldados das forças de paz da ONU estão se juntando à missão. Mas esta força, quando combinada aos 4.800 soldados das tropas africanas que já trabalham na região, representa apenas 65% do que foi autorizado pelo conselho de segurança da ONU em abril.

Grupos de direitos humanos pedem a implantação completa de uma força de 12 mil soldados, mas de acordo com diplomatas, isso só deverá acontecer no começo de 2015. "A troca das forças de paz da União Africana pelas forças da ONU deve ser mais do que uma mudança ''cosmética'': a troca de boinas verdes por capacetes azuis. A mudança tem de marcar o recomeço da operação de paz na RCA", disse o diretor regional da Anistia Internacional, Steve Cockburn.

A missão vai enfrentar um enorme desafio: trazer paz para um dos países menos desenvolvidos do continente africano, com área do tamanho do Texas e população de cerca de 4,6 milhões de pessoas. Algumas estradas do país não foram recuperadas desde a independência da França, em 1960, e outras ficam inacessíveis em época de chuvas. Além disso, diversos grupos rebeldes e movimentos armados já atuam no norte do país.

Os novos reforços para a missão africana vêm do Paquistão, Sri Lanka, Indonésia, Marrocos e Bangladesh. Segundo a ONU, foram necessários meses para mobilizar os países para contribuir com as forças de paz. "A ONU trabalhou incansavelmente desde a reunião do conselho de segurança, em abril", disse o porta-voz da organização Stephane Dujarric, enfatizando que a logística para o envio de tropas à República Centro-Africana é extremamente complicada.

Pelo menos 5.204 pessoas foram mortas em conflitos entre muçulmanos e cristãos no país desde dezembro do ano passado, de acordo com levantamento feito pela Associated Press. O número é baseado na contagem de corpos e dados reunidos por sobreviventes, padres e voluntários em mais de 50 das comunidades atingidas.

"Civis ainda estão sendo mortos numa ''taxa alarmante''", afirmou o pesquisador da Human Rights Watch, Lewis Mudge, após conduzir uma missão em campo neste mês na RCA. "Não temos tempo a perder, a missão da ONU precisa urgentemente enviar mais tropas às regiões leste e central do país e tomar medidas mais ousadas para proteger os civis contras estes ataques brutais", disse.

Os Estados Unidos anunciaram que vão reabrir a embaixada na capital da República Centro-Africana, Bangui, quase dois anos após a suspensão das atividades no país, em dezembro de 2012. O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, afirmou nesta segunda-feira que os esforços para colocar a nação num caminho de paz e estabilidade tem progredido. Fonte: Associated Press.

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