ONU atesta chacina de 92 civis por forças sírias

Mais de 30 crianças estão entre vítimas de uma das ações mais sangrentas da revolta anti-Assad

DAMASCO, O Estado de S.Paulo

27 Maio 2012 | 03h05

Em um dos mais sangrentos episódios desde o início dos confrontos entre forças do governo e a oposição na Síria, um ataque de artilharia do Exército matou ontem pelo menos 92 civis - entre os quais, 32 crianças - na região de Houla, centro do país. A ofensiva foi confirmada por observadores civis e militares da ONU, que estão na Síria para tentar viabilizar um cessar-fogo entre as tropas do ditador Bashar Assad e as milícias rebeldes.

Os corpos ensanguentados de crianças, alguns com o crânio aberto, apareceram em vídeos postados no YouTube por membros da oposição a Assad com a intenção de denunciar o ataque. Seguindo testemunhas citadas por fontes ligadas aos rebeldes, o som de choro e lamentos tomava conta do local.

Os relatos da carnificina, destacaram analistas ocidentais, ressaltam o quanto a Síria está distante de uma saída negociada para a revolta, que já dura 15 meses, contra Assad.

Numa declaração, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, exigiu di governo sírio "o fim imediato do uso de armas pesadas contra a população". O chefe da equipe de observadores das Nações Unidas que monitora o cessar-fogo, general Robert Mood, disse que seu grupo de trabalho constatou a morte de pelo menos 32 crianças com idade abaixo dos 10 anos e o uso de fogo de barragem disparado de tanques contra os civis. "Quem quer que tenha começado isso, quem quer que tenha respondido e quem quer que tenha tomado parte deste ato deplorável de violência deve ser responsabilizado", disse Mood.

O ministro das Relações Exteriores da França, Laurent Fabius, qualificou a ação das Forças Armadas sírias de "massacre" e disse que pretendia organizar um encontro em Paris dos Amigos da Síria, um grupo que engloba países árabes e do Ocidente interessados em remover Assad.

A televisão estatal síria, por seu lado, transmitiu algumas das cenas distribuídas por ativistas, afirmando que os corpos eram de vítimas de uma chacina cometida por "gangues terroristas". Ao longo do confronto, Assad tem justificado a violência de seus homens sob a alegação de que enfrenta forças ligadas ao grupo terrorista Al-Qaeda.

Os meios oficias sírios também mostraram vídeo de corpos que pareciam ter ferimentos a bala na cabeça, esparramados em colchões com manchas de sangue - sempre atribuindo a autoria dos crimes a "terroristas".

Um grupo de oposição que tem sede em Londres, o Observatório Sírio por Direitos Humanos, disse que os residentes de Houla estavam fugindo com medo de mais ataques. "O Conselho Nacional Sírio pede ao Conselho de Segurança da ONU que convoque uma reunião de emergência e determine a responsabilidade das Nações Unidas frente a tais assassinatos em massa", afirmou a porta-voz do grupo Bassma Kodmani.

O ex-secretário-geral da ONU e principal mediador da crise síria, Kofi Annan, deve viajar hoje à noite ao país para "expressar de modo claro" ao governo sírio sua insatisfação com as constantes violações ao cessar-fogo com o qual o regime de Assad se comprometeu há um mês. / AP e EFE

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