Luis Acosta/AFP
Luis Acosta/AFP

ONU ativa missão de monitoramento e verificação do cessar-fogo das Farc

Secretário-geral das Nações Unidas anunciou que ação também acompanhará o abandono das armas por parte da guerrilha

O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2016 | 11h50

CARTAGENA, COLÔMBIA - O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, anunciou na segunda-feira que com a assinatura do acordo de paz entre o governo da Colômbia e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) terá início a missão política especial da ONU para o monitoramento e verificação do cessar-fogo e do abandono das armas por parte da guerrilha.

"Com a assinatura deste acordo, começa o mandato da missão política especial das Nações Unidas para o monitoramento e verificação do cessar-fogo e o abandono das armas", declarou Ban a jornalistas em Cartagena das Índias, onde participou da assinatura do acordo de paz.

Ban foi um dos convidados especiais na cerimônia em que o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, e o líder das Farc, Rodrigo Londoño Echeverri, conhecido como "Timochenko", encerraram um conflito armado de 52 anos, o mais antigo do continente.

O secretário destacou que estão "preparados intensamente para este momento", sob a liderança de seu representante especial e chefe da Missão da ONU na Colômbia, Jean Arnault.

Ban Ki-moon confirmou que cerca de 200 observadores e civis desarmados da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) já se encontram "no terreno" e estão "em comunicação com as comunidades" e as autoridades locais. "Seu número vai crescer rapidamente na medida em que os primeiros passos do processo de paz acontecerem", afirmou.

Segundo Ban, "a missão irá trabalhar em uma estreita colaboração com as agências das Nações Unidas já presentes na Colômbia" e lembrou que a ONU tem "apoiado o processo de construção de paz na Colômbia há muitos anos", ao trabalhar com as vítimas, comunidades "e respondendo às necessidades humanitárias do conflito".

Ele umprimentou a "capacidade da Colômbia de encerrar este conflito prolongado" e destacou que "foi uma inspiração para o mundo". "Muito trabalho precisa ser feito para transformar a paz em uma realidade em todo o país. Senhoras e senhores, a ONU está orgulhosa e comprometida em acompanhar a Colômbia nesta viagem histórica", concluiu.

A missão da ONU, aprovada em janeiro pelo Conselho de Segurança e apoiada por unanimidade pelo Conselho de Segurança, formará o componente internacional do mecanismo tripartido para supervisionar o cessar-fogo, do qual participam também representantes do governo e das Farc.

O cessar-fogo bilateral e definitivo entrou em vigor no dia 29 de agosto, quatro dias depois que o governo e as Farc assinaram em Havana, Cuba, o acordo de paz, que foi selado formalmente durante cerimônia em Cartagena. 

Reações. O secretário-geral da Organização de Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, celebrou a assinatura do acordo histórico. "Hoje é um dia que o mundo não esquecerá. O Acordo de Paz na Colômbia é um rito que todos os países do Hemisfério e do mundo aplaudem", afirmou Almagro em comunicado.

"A paz para a Colômbia é a paz para todos", disse o chefe do organismo regional, felicitando Santos e os líderes das Farc "pelo empenho e a convicção de pôr fim a mais de meio século de confronto armado, por meio do diálogo".

"A Colômbia demonstrou que, quando o diálogo está orientado a obter resultados, as convicções são fortes e o objetivo é superior, o impossível se torna realidade", disse Almagro.

Veja abaixo: Santos e Timochenko assinam histórico acordo de paz​

A máxima autoridade da OEA reiterou que o organismo hemisférico continuará sua assistência à Colômbia durante o pós-conflito.

O ministro das Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov, também felicitou o povo colombiano pela assinatura da paz. Em uma mensagem à chanceler colombiana, María Ángela Holguín, Lavrov “felicitou todo o povo colombiano pela assinatura do acordo de paz e os desejou sucesso na construção de uma Colômbia pacífica, democrática e próspera”, disse um comunicado publicado pela chancelaria russa. / EFE e AFP

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