ONU aumentará pressão sobre Mianmar para evitar mais mortes

Nações Unidas temem segunda onda de mortes causada pela ajuda insuficiente às vítimas do ciclone Nargis

Efe,

14 de maio de 2008 | 19h51

A ONU se dispõe a aumentar a pressão sobre o governo de Mianmar para evitar uma segunda onda de mortes causada pela ajuda insuficiente que os militares do país deram às vítimas do ciclone Nargis. "Entramos em uma segunda etapa das operações para ajudar ao povo de Mianmar", afirmou nesta quarta-feira, 14, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, em um breve encontro com a imprensa. Veja também:ONU estima que até 2,5 milhões precisam de ajuda em Mianmar "Embora o governo de Mianmar tenha mostrado uma maior flexibilidade, é de longe insuficiente, e a magnitude da situação requer uma maior mobilização de recursos e voluntários", afirmou. Ban se reuniu nesta quarta com embaixadores dos principais países doadores de ajuda, assim como com os da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), para "discutir de verdade quais medidas concretas" podem ser tomadas "a partir de agora." O secretário-geral da ONU discutiu a situação em Mianmar por telefone com o primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, que propôs convocar uma cúpula internacional para coordenar os esforços de ajuda ao país. O embaixador britânico perante a ONU, John Sawers, disse que compareceram à cúpula governos, instituições multilaterais e as principais ONGs presentes em Mianmar. "Todos estes atores podem identificar o que é necessário e qual é a melhor forma de fazê-lo chegar que seja aceitável ao governo de Mianmar", acrescentou. O líder da Junta Militar birmanesa, o general Than Swe, continua sem retornar as ligações de Ban, e também não respondeu as duas cartas enviadas pelo responsável das Nações Unidos. Os últimos números divulgados pelas autoridades de Mianmar elevam o número de mortos para 38.400 e o de desaparecidos, para 27 mil, segundo a ONU. "Se queremos evitar a segunda onda de mortes que tememos, deve-se organizar uma ação internacional coordenada", disse o subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, John Holmes. Cruz Vermelha A chegada de fortes chuvas à região de Mianmar devastada pelo ciclone "Nargis" seria "o pior dos cenários possíveis", alertou nesta quarta a Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV), após o anúncio de que se aproximam desta região precipitações. A previsão foi confirmada pela Organização Meteorológica Mundial, que afirmou que as tempestades são comuns na temporada das monções que se aproxima. Por outro lado, esta entidade afirmou que "não existe indicação de que esteja se formando um (novo) ciclone na região", como foi anunciado nas últimas horas. No entanto, a FICV afirmou que as chuvas "agravarão uma situação que já é dramática para centenas de milhares de sobreviventes" do ciclone que atingiu o sul de Mianmar. "Os solos estão saturados de água e grandes áreas estão inundadas, enquanto a população suporta condições extremas", afirmou o diretor de operações de socorro desta entidade, Peter Rees.  As equipes de socorro temem que o aumento do nível das águas possa provocar o vazamento das águas sujas da rede de esgoto, o que aumentaria imediatamente o risco de um surto de doenças como a diarréia e a disenteria.

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