ONU autoriza ações militares contra piratas na Somália

Piratas somalis tomaram hoje o controle de um rebocador indonésio operado pela petrolífera francesa Total na costa do Iêmen, o último exemplo do aumento da insegurança no Golfo de Áden. Um funcionário da Total no Iêmen, que não quis se identificar, disse que a tripulação do rebocador é composta por indonésios e pessoas de outras nacionalidades. A embarcação ia do porto de Mukalla, no sul do Iêmen, para a Malásia quando foi seqüestrada. Hoje, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) autorizou que sejam deslanchadas operações militares contra os piratas da Somália.Piratas somalis tomaram cerca de 40 embarcações na costa da Somália neste ano. Funcionários do setor marítimo dizem que 14 continuam em poder dos corsários. Cerca de 250 tripulantes desses barcos também estão em poder dos piratas. Antonio Maria Costa, diretor-executivo do escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, sediado em Viena, pediu que oficiais das forças da lei estejam prontos para entrar em combate em navios de guerra para capturar os piratas e os julgue por seqüestro em seus países. "Os piratas não podem ser disciplinados ou andarem na prancha nem devem ser jogados na costa da Somália. Eles precisam ser trazidos à Justiça", disse ele. Medidas semelhantes ajudaram a processar traficantes de drogas no Caribe, afirmou. Costa disse que os países da região, como Djibuti, Quênia, Tanzânia e Iêmen, poderiam assinar acordos dando poderes de polícia aos oficiais para prender os piratas em nome da polícia de cada país e então levá-los para serem processados e julgados. Patrulhas O chefe militar do Quênia, general Jeremiah Kianga, disse hoje que seu país vai aumentar o número de patrulhas ao longo de sua costa porque a pirataria na vizinha Somália encareceu os negócios no principal porto queniano. A Marinha e a Aeronáutica do Quênia vão patrulhar apenas o território queniano e não entrarão nas águas ou espaço aéreo somalis, disse Kianga. "A cooperação regional é essencial", disse Costa. "Anos atrás, a pirataria era uma ameaça no Estreito de Málaca. Ao trabalharem juntos, Indonésia, Malásia, Cingapura e Tailândia, conseguiram reduzir o número de ataques pela metade desde 2004", afirmou. Ele também pediu que as autoridades tomem medidas contra as bases dos piratas na costa, suas redes de apoio e transações financeiras. "Os piratas somalis estão nesse negócio por causa do dinheiro, então devemos tentar capturar seu tesouro", disse Costa. "Ao contrário dos corsários de antigamente, as máfias somalis não enterram seu butim na areia. Cada vez mais os piratas trabalham por meio de intermediários em centros financeiros. É nesses lugares que precisamos atingi-los." A agência das Nações Unidas também pediu que as empresas navais e de seguro não paguem resgate, já que isso, segundo Costa, apenas encoraja os piratas a fazer reféns. Com informações da Associated Press e da Dow Jones.

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