ONU autoriza forças da coalizão a garantir segurança no Afeganistão

O Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou na noite desta quarta-feira, por 15 votos a 0, uma resolução que endossa os esforços internacionais para ajudar a preencher o vácuo de poder político no Afeganistão e providenciar segurança para área do país tomada do Taleban pela opositora Aliança do Norte. A resolução não faz referência explícita a uma força multinacional, mas o embaixador norte-americano John Negroponte informou que fornece autoridade suficiente às tropas da coalizão liderada pelos EUA que já estão no Afeganistão para que estas ajudem a manter a lei e a ordem na capital Cabul e em outras áreas abandonadas pelo Taleban. A França e a Grã-Bretanha assinalaram que, no futuro, será necessária outra resolução para autorizar formalmente o envio de uma nova força multinacional ao Afeganistão e já se dispuseram a colaborar com tropas. A resolução "encoraja" países a ajudar a "garantir a segurança de áreas do Afeganistão não mais sob controle do Taleban". O texto também endossa o trabalho do enviado especial da ONU Lakhdar Brahimi para tentar reunir as diferentes grupos étnicos do Afeganistão num governo de transição e adverte todas as forças afegãs a não cometer "atos de represália" e a respeitar os direitos humanos. O documento deixa claro que a ONU será a instituição-chave nas negociações "para o estabelecimento de estruturas administrativas transitórias" após a queda do Taleban. Mas, horas antes da aprovação da resolução, a Aliança do Norte anunciou a formação de um gabinete provisório dirigido por Burhanuddin Rabbani, o presidente afegão destituído em 1996 pelo Taleban. Burhanuddin ainda é reconhecido oficialmente pela ONU como presidente do país. Estava previsto seu retorno a qualquer momento a Cabul, segundo a agência kuwaitiana Kuna, que citou como fonte um porta-voz do comandante Abdul Rashid Dostum. Segundo a Kuna, Dostum é o novo ministro da Defesa. O embaixador britânico nas Nações Unidas, Jeremy Greenstock, destacou que a futura força internacional não deverá ser uma força de paz da organização (os chamados "capacetes-azuis"), mas soldados de um grupo de países que garantiriam a segurança da população. Diplomatas disseram que Turquia, Bangladesh e Indonésia (países muçulmanos com bom relacionamento com os EUA e Grã-Bretanha) se mostraram dispostos a enviar contingentes. O Paquistão e a Arábia Saudita elaboram também um plano de paz que prevê o envio de uma força das Nações Unidas. A ONU quer a criação no Afeganistão de um conselho provisório integrado por todas as etnias e presidido por uma pessoa "reconhecida como símbolo de unidade nacional", uma aparente alusão ao ex-rei afegão Mohammed Zahir Shah, de 87 anos, deposto em 1973 e exilado em Roma. A entidade propôs a realização nos próximos dias de uma conferência ou grande conselho (chamado loya jirga) de líderes de todas as tribos, facções e etnias para formar esse governo, aprovar medidas de segurança e preparar uma Constituição. Uma segunda loya jirga aprovaria a Carta Magna e estabeleceria um governo. Leia o especial

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.