ONU avalia publicar nomes de supostos criminosos de guerra na Síria

Comissão Internacional de Inquérito para a Síria ressalta necessidade de que responsáveis pelas atrocidades sejam julgados

O Estado de S. Paulo

20 de fevereiro de 2015 | 18h17

NAÇÕES UNIDAS - A Comissão Internacional de Inquérito para a Síria promovida pela ONU disse nesta sexta-feira, 20, que está estudando a possibilidade de tornar público os nomes de indivíduos que podem ter cometido crimes de guerra no país.

Os analistas, que se encarregam de documentar as violações dos direitos humanos cometidas na Síria, explicaram que atualmente estão avaliando "os prós e os contras" da possível decisão. O grupo analisou essa possibilidade com os membros do Conselho de Segurança da ONU, pois considera que publicar essas identidades é "construtivo" somente se for seguida de ações de prestação de contas, disse aos jornalistas seu principal responsável, o brasileiro Paulo Sergio Pinheiro.

O grupo já elaborou quatro listas de possíveis criminosos de guerra, sobre as quais não deu informação, e está trabalhando em uma quinta, com a junção das anteriores e que deve ser concluída em março.

Pinheiro ressaltou nesta sexta-feira a necessidade de que os responsáveis das atrocidades cometidas no país sejam julgados, e lamentou que até agora os esforços para fazer justiça tenham sido muito limitados. Até agora, Rússia e China vetaram no Conselho de Segurança da ONU as propostas para levar esses crimes perante o Tribunal Penal Internacional (TPI).

Hoje, o embaixador britânico perante a ONU, Mark Lyall Grant, assegurou que o Conselho de Segurança deve voltar a tratar o assunto, e considerou ser "absurdo" que dada à gravidade dos crimes cometidos no país o TPI não esteja se ocupando deles.

O último relatório da comissão investigadora, divulgado hoje, critica exatamente a "impunidade" existente na Síria e documenta graves violações cometidas por diferentes envolvidos no conflito. Das evidências reunidas, os especialistas concluíram que uma das principais estratégias das forças governamentais era sitiar áreas, sem considerar a existência de população civil no local, que ficava sem água, alimentos e provisões médicos.

Assim como as forças oficiais, os grupos armados rebeldes também torturaram e executaram, suspeitos de ser agentes do regime. A partir do momento em que os extremistas do Estado Islâmico e da Frente al-Nusra se consolidaram, no ano passado, os ataques suicidas e com carros-bomba contra alvos civis aumentaram.

A ONU calcula que mais de 210 mil pessoas morreram durante o conflito, que já provocou também o deslocamento de 6,5 milhões de cidadãos e levou mais de três milhões a fugir para outros países. / EFE

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