Wilton Júnior/AE
Wilton Júnior/AE

ONU, Brasil e EUA definem papéis em ações de ajuda ao Haiti

Organização coordenará operação com Haiti; Minustah cuida de segurança e Washington de auxílio humanitário

DÉBORA THOMÉ, Agencia Estado

17 de janeiro de 2010 | 20h18

Com o objetivo de discutir a situação do Haiti e de afinar a coordenação das ações no país, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, participou hoje de uma teleconferência organizada pelo Canadá com representantes de 10 países, além de integrantes da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Organização dos Estados Americanos (OEA). Entre os participantes, estavam o primeiro-ministro do Haiti, Jean-Max Bellerive, e a secretária de Estado americana, Hillary Clinton.  

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Na reunião por teleconferência, ficou decidido que a definição de prioridades e a coordenação das operações ficará a cargo da ONU juntamente com o governo haitiano. Ao Brasil, caberá a participação na segurança; enquanto os Estados Unidos cuidarão da ajuda humanitária.

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Segundo Celso Amorim, a percepção é de que houve algum progresso na distribuição de mantimentos no Haiti. Uma das maiores preocupações dos ministros que participaram da teleconferência está justamente na distribuição das ajudas internacionais, isso porque os portos permanecem de difícil acesso. Além disso, os comboios que saem da República Dominicana estão ameaçados devido aos saques.

Amanhã o Conselho de Segurança da ONU realizará uma reunião para discutir o número máximo de tropas militares e policiais presentes no Haiti. O Brasil aguarda essa possível mudança para estudar o envio de mais tropas. Uma outra reunião, esta ministerial, será realizada na próxima segunda-feira, em Montreal, no Canadá, para começar a se pensar na reconstrução do país.

Ajuda

Até agora, o Brasil já se comprometeu a enviar uma ajuda de US$ 15 milhões. Por enquanto, não está previsto um aumento nesta soma"Pelos números que eu tenho lido nos jornais, até agora, os nossos números não fazem vergonha diante de muitos países desenvolvidos, pelo contrário, são substanciais", comentou o ministro alfinetando implicitamente a escassa ajuda de alguns países europeus. "Não é importante ser rico para ser solidário, mas sendo rico é mais fácil efetivar essa solidariedade."

O ministro ainda voltou a comentar a questão do uso do aeroporto. Isso porque o Brasil teve dificuldade de trafegar em Porto Príncipe. Amorim afirmou que ocorreu "uma transição difícil da administração haitiana para a dos Estados Unidos", e, portanto, foi necessário reiterar que "em função da grande presença brasileira, tínhamos que ser tratados com uma certa prioridade". De acordo com o ministro, a superposição de funções está sendo resolvida.

No fim, Celso Amorim fez um apelo: pediu que as ajudas fossem feitas através de dinheiro. E lembrou que, na tragédia da tsunami, em 2004, muitos dos mantimentos doados tiveram de ser jogados no lixo.

 

 

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