ONU cobra empenho da Rússia contra racismo e neonazismo

Uma importante comissão da Organizaçãodas Nações Unidas manifestou na segunda-feira alarme contra acrescente violência racial na Rússia, e pediu ao país maisempenho contra grupos ultranacionalistas e neonazistas e contraa retórica do ódio na imprensa. O Comitê para a Eliminação da Discriminação Racial tambémpediu ao governo que investigue a repressão contra georgianosregistrada em 2006 na Rússia. O comitê se disse "gravemente preocupado com o aumentoalarmante na incidência e gravidade da violência racialmentemotivada, especialmente por parte de jovens pertencentes agrupos extremistas." Os alvos do discurso e dos atos de violência sãoprincipalmente chechenos, mas também outros povos do Cáucaso eÁsia Central, ciganos, turcos, judeus, muçulmanos e africanos. O relatório é resultado de discussões dos 18 integrantes dacomissão com uma delegação russa e com grupos de direitoshumanos do país, ocorrida neste mês. Ativistas de direitos humanos disseram durante asaudiências que a polícia costumava se omitir quando grupos de"skinheads" e neonazistas realizavam manifestações contrajudeus, minorias étnicas e estrangeiros. O comitê pediu uma "profunda investigação" sobre fatos queem 2006 a Geórgia disse refletir o racismo contra seuscidadãos. De acordo com relatos citados pela comissão, apolícia russa teria detido centenas de georgianos, inclusivealguns com cidadania russa, para em seguida mantê-los emprisões lotadas ou deportá-los com pouca ou nenhuma garantiajurídica. A análise do caso ocorreu antes do início do atual conflitoarmado entre Geórgia e Rússia neste mês, por causa do controleda Ossétia do Sul. O texto diz também que tribunais de toda a Rússia vêmdeterminando a destruição de tradicionais assentamentos ciganose ordenando que crianças desse grupo sejam colocadas em classesespeciais. A comissão pede que a Rússia aja contra policiais e outrasautoridades envolvidas em "prisões racialmente seletivas,revistas e outros atos injustificados" com base na aparênciadas pessoas. O comitê afirma que o governo tenta combater a incitação aoódio racial e religioso na imprensa e, em menor medida, porparte de partidos e políticos. Mas afirma que nos últimostempos esse tipo de manifestação -- tanto na mídia quanto napolítica -- ganhou espaço.

ROBERT EVANS, REUTERS

18 de agosto de 2008 | 22h01

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