ONU começa a tirar tropas de paz do Iraque

A "troca da guarda" começa a ocorrer no Iraque. Hoje, a ONU iniciou a retirada de seus capacetes azuis de Bagdá e de outras cidades iraquianas situadas na zona desmilitarizada do país. Os soldados foram transportados para uma base militar perto da fronteira com o Kuwait. Enquanto isso, estão desembarcando na região centenas de funcionários da CIA e jornalistas que foram escolhidos pela Casa Branca para acompanhar o exército americano em uma eventual invasão do território iraquiano.A ONU explicou que a retirada de seus soldados da capital foi feita para protegê-los. Os capacetes azuis não têm mandado para usar a força e, portanto, estariam vulneráveis caso a guerra seja iniciada. A Organização das Nações Unidas informou que ficaram em Bagdá apenas as pessoas consideradas essenciais para a manutenção dos programas de assistência humanitária.Os soldados da ONU foram enviados ao Iraque depois da guerra de 1991, com o objetivo de monitorar as ações do governo de Bagdá e evitar hostilidades entre o exército iraquiano e forças estrangeiras. Mas com a possibilidade de uma nova guerra, a própria ONU reconhece que o trabalho de seus militares está ultrapassado.Uma evidência disso é que, a poucos quilômetros da base onde estão os soldados da ONU, mais de 100 mil militares americanos esperam as ordens da Casa Branca para iniciar a invasão do Iraque pelo sul. A rigor, uma das funções dos capacetes azuis é a de informar ao Conselho de Segurança eventuais movimentos de exércitos perto da fronteira.ONGs, ativistas e especialistas em direito internacional, porém, questionam quem teria ordenado a saída dos capacetes azuis de seus postos de observação, já que o mandado para o Iraque não tem prazo e qualquer mudança deveria exigir uma decisão do Conselho de Segurança.Para muitos, a resposta pode ser encontrada na chegada de observadores da CIA e de jornalistas treinados pelo Pentágono para cobrir a guerra para as redes de TV e jornais norte-americanos. "O cenário da guerra está montado", afirma um diplomata na ONU, em Genebra.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.