ONU condena ataque de Israel contra flotilha de ajuda a Gaza

Um ataque militar israelense contra uma flotilha que seguia em direção à Faixa de Gaza em maio foi ilegal e resultou em violações dos direitos humanos e da lei humanitária internacional, afirmou um painel de especialistas internacionais na quarta-feira.

JONATHAN LYNN, REUTERS

22 de setembro de 2010 | 21h58

Os três especialistas, escolhidos pelo Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) para investigar o ataque israelense em que nove ativistas foram mortos, também disseram que o bloqueio de Israel à Faixa de Gaza havia causado uma crise humanitária e também era ilegal.

Os peritos de Grã Bretanha, Trinidad e Malásia disseram em um relatório que a ação militar de Israel usou força desproporcional e "violência inacreditável e totalmente desnecessária" ao interceptar a flotilha.

"Eles utilizaram um nível inaceitável de brutalidade. Tal conduta não pode ser justificada ou tolerada, nem mesmo por motivos de segurança", segundo o relatório que será entregue ao Conselho em 27 de setembro.

"Houve graves violações das leis de direitos humanos e do direito humanitário internacional."

Os três especialistas afirmaram que Israel tem direito à sua segurança e que atirar foguetes contra o território israelense desde a Faixa de Gaza, controlado pelo Hamas, também é uma violação ao direito humanitário.

Mas o bloqueio de Israel à Faixa de Gaza resulta em um castigo coletivo à população civil e é ilegal em quaisquer circunstâncias, eles disseram.

Os especialistas, que não tiveram permissão para entrar em Israel, afirmaram que o país havia se recusado a colaborar com a sua missão e pediram que as autoridades israelenses identificassem os envolvidos na ação violenta e os processasse.

Israel, que diz que os ativistas no navio foram mortos quando eles atacaram seus militares, já havia declarado que não trabalharia com os especialistas do Conselho de Direitos Humanos da ONU. No entanto, o Estado judeu deixou claro que concordaria em cooperar com outra investigação feita por um grupo apontado pelo secretário-geral da entidade, Ban Ki-moon.

Israel também conduz sua própria investigação.

Muitas nações acreditam que o Conselho, no qual países islâmicos e seus aliados são maioria, concentra-se principalmente no tratamento que Israel dá aos palestinos, deixando de lado outras questões de direitos humanos.

A sessão de segunda-feira do Conselho também vai examinar outro relatório de especialistas sobre as investigações complementares feitas por Israel e pelos palestinos sobre o conflito da Faixa de Gaza de 2008-2009.

Aquele relatório determinou que as investigações foram insuficientes.

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