ONU condena 'banho de sangue' no Sri Lanka

A Organização das Nações Unidas (ONU) condenou hoje o "banho de sangue" realizado na zona de guerra ao norte do Sri Lanka. Após dois dias de bombardeios, médicos do governo disseram que os ataques mataram cerca de mil civis tâmeis, dentre eles 106 crianças. O médico V. Shanmugarajah disse que a falta de pessoas para atender aos doentes é tão grande que os que foram feridos no primeiro ataque, na noite de sábado, ainda não tinham recebido cuidados na manhã de hoje. "A taxa de mortalidade está subindo, mas estamos sem saída", disse ele. Um site da internet com ligações com os rebeldes acusa o governo pelos ataques, enquanto o governo nega que tenha feito disparos de artilharia na área.

AE-AP, Agencia Estado

11 de maio de 2009 | 12h30

"A ONU tem consistentemente advertido contra o cenário de banho de sangue, na medida em que vimos o crescente aumento de mortes civis nos últimos meses", disse hoje o porta-voz da ONU Gordon Weiss. "A morte de civis em grande escala no final de semana, incluindo as mortes de mais de 100 crianças, mostra que o banho de sangue tornou-se uma realidade". O ataque teve início no pequeno trecho da costa nordeste, que ainda está sob comando rebelde, disseram funcionários de saúde.

Ontem, uma nova rodada de ataques, menos intensa do que a primeira, atingiu uma nova "zona de segurança" demarcada, onde o governo havia pedido para que os civis se reunissem, disse Shanmugarajah. Um total de 393 pessoas foram levadas para o hospital para serem enterradas ou morreram no local ontem, enquanto outros 37 corpos foram levados hoje, disse ele. Os mortos incluem 106 crianças. Mais de 1.300 feridos foram para o hospital.

Dados da ONU, compilados no mês passado, mostram que cerca de 6.500 civis foram mortos em três meses de lutas neste ano. O Human Rights Watch, a Anistia International e outros grupos de direitos humanos pediram ao Japão, o maior doador internacional do Sri Lanka, para pressionar o Conselho de Segurança da ONU a tratar do assunto da guerra civil. "Encontros formais no Conselho de Segurança devem ser feitos urgentemente, assim, o conselho pode tomar as medidas necessárias para lidar com a crise humanitária e de direitos humanos", disse o grupo numa carta ao primeiro-ministro do Japão.

Cerca de 50 mil civis são mantidos uma faixa de 4 quilômetros na costa, juntamente com os separatistas, que há 25 anos lutam pela criação de um país para a minoria tâmil. O governo descarta os pedidos internacionais para uma trégua humanitária, afirmando que qualquer pausa na luta daria aos rebeldes tempo para se reagruparem.

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