ONU condena Coréia do Norte e EUA já falam em sanções

Em reunião de emergência realizada na manhã desta segunda-feira em Nova York, os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU condenaram de forma uníssona o teste nuclear realizado pela Coréia do Norte, informaram os embaixadores que participaram do encontro. Os países pediram que Pyongyang volte urgentemente às negociações multilaterais sobre o programa nuclear do país.Os Estados Unidos já informaram que irão pressionar pela adoção de sanções para impedir a importação e exportação de materiais que poderiam ser usados na produção e venda de armas de destruição em massa. Além disso, o embaixador americano na ONU, John Bolton, destacou que pedirá medidas para coibir as atividades financeiras "ilícitas" do país.Bolton e outros países aliados dos Estados Unidos, incluindo a Grã-Bretanha e a França, disseram que iriam propor uma resolução sob o Capítulo 7 da Carta da ONU, que dá respaldo para a adoção de sanções e permite uma eventual ação militar. O texto, segundo os países, deve ir além da resolução adotada pelo Conselho de Segurança em julho, quando a Coréia do Norte realizou testes com mísseis sobre o Mar do Japão.Segundo diplomatas que participaram da reunião do Conselho de Segurança, e que falaram em condição de anonimato, Bolton destacou ainda que Washington irá considerar um eventual ataque norte-coreano contra o Japão ou a Coréia do Sul como um ataque aos EUA. Os americanos possuem acordos de defesa com os dois países e mantém centenas de soldados estacionados no leste asiático.Especialistas do Conselho de Segurança devem se encontrar na tarde desta segunda-feira para discutir uma proposta emitida pelos Estados Unidos para a criação de um rascunho de resolução sobre o teste nuclear norte-coreano.Os Estados Unidos querem tornar mais difícil para a Coréia do Norte produzir e exportar armas nucleares, químicas ou biológicas, e querem impor sanções financeiras. Segundo Bolton, Pyongyang produz dinheiro falsificado e realiza lavagem de dinheiro. "Nós já dizíamos que um teste nuclear iria ocorrer e que seria uma ameaça à paz e segurança internacionais", afirmou o embaixador da Inglaterra na ONU, Emyr Jones-Parry. "Acho que isso segue aquela ação sob o capítulo 7, é o que é apropriado. Teremos que ver quais medidas serão de comum acordo do Conselho, mas com certeza a Inglaterra irá apoiar propostas com tal efeito." DesafiadorO embaixador da Coréia do Norte na ONU continuava desafiador, dizendo que o Conselho de Segurança deveria parabenizar a Coréia do Norte por seu teste nuclear, em vez de fazer resoluções "inúteis" ou declarações. Pak Gil Yon disse a repórteres que ele está orgulhoso dos norte-coreanos que conduziram o teste, e disse que o Conselho de Segurança também deveria estar. Questionado se o país planejava mais teste, respondeu que "isso será o suficiente. Você não acha?" "Será melhor para o Conselho de Segurança das Nações Unidas congratular os cientistas e pesquisadores, em vez de fazer resoluções tão notórias, inúteis e rigorosas ou qualquer outra coisa", afirmou Pak. "Ninguém defendeu (o teste), ninguém chegou nem perto disso", disse Bolton. "Fiquei muito impressionado pela unanimidade do conselho sobre a necessidade de uma resposta forte e rápida para o que todos consideraram como uma ameaça à paz e à segurança internacionais".

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