ONU condena Cuba por direitos humanos

Mesmo sem a presença dos Estados Unidos, a Comissão de Direitos Humanos da ONU condenou hoje o regime cubano. Com o apoio da maioria dos países latino-americanos, a resolução proposta pelo Uruguai - pedindo para que o governo cubano realize "esforços para obter avanços nos campos dos direitos humanos, civis e políticos" - foi aprovada por 23 votos a favor, 21 contra e nove abstenções, entre elas o Brasil. "Foi uma traição", afirmou um diplomata cubano ao final da reunião.Além disso, a proposta inclui o envio de uma missão para investigar as violações aos direitos humanos por parte do governo de Fidel Castro.Essa é a primeira sessão da história da Comissão a não contar com os Estados Unidos, que foram excluídos pelos demais países da ONU no ano passado por votação. Sem poder de propor resoluções, a solução da Casa Branca foi encontrar porta-vozes que pudessem apresentar suas propostas.Depois de consultar uma série de governos da região, os Estados Unidos conseguiram convencer o governo uruguaio a patrocinar uma resolução contra Cuba.O Brasil optou pela abstenção para não deixar Cuba isolada no continente. Mesmo assim, o embaixador do Brasil em Genebra, Luiz Felipe Seixas Corrêa, fez questão de explicar seu voto, ressaltando que a resolução tem seus pontos positivos.?Ao mesmo tempo que pede que Cuba realize esforços para conseguir progressos na área de direitos civis e políticos, a resolução reconhece os avanços para a realização de direitos sociais de sua população apesar do entorno internacional desfavorável", afirmou o embaixador, em referência ao embargo colocado pelos Estados Unidos à ilha.Em uma das reuniões mais tensas do ano na ONU, a grande surpresa na votação foi a postura do México que, apesar de ser tradicionalmente um aliado dos cubanos, votou a favor da resolução. O congresso mexicano chegou a convocar sua diplomacia para pedir que o governo de Fox não apoiasse a resolução. Mas hoje, o voto foi pela condenação do regime de Fidel Castro.O único país latino-americano a votar contra a resolução foi a Venezuela. Além de Montevidéu, os governos da Argentina, Costa Rica, Peru, Guatemala, Honduras, Chile e Nicarágua também apoiaram a idéia. Canadá e os países europeus também votaram pela resolução.

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