Isaac Paniza/Efe
Isaac Paniza/Efe

ONU condena falta de informação sobre localização de venezuelanos detidos

Alto Comissariado para os Direitos Humanos diz ter recebido denúncias de parentes e advogados

O Estado de S. Paulo,

09 Maio 2014 | 08h16

GENEBRA - A ONU criticou nesta sexta-feira, 9, o "uso excessivo de força" por parte do governo venezuelano para acabar com "protestos pacíficos" em Caracas e afirmou ter recebido denúncias de falta de informação sobre a localização de manifestantes detidos após ação do chavismo desmontar acampamentos contra o presidente Nicolás Maduro.

"Condenamos toda a violência, por todas as partes da Venezuela, mas estamos particularmente preocupados com os relatos do uso excessivo de força por parte das autoridades em resposta aos protestos", disse o porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos.

Na madrugada da quinta-feira 8, a Guarda Nacional Bolivariana (GNB) avançou contra os últimos redutos fixos de protesto contra o governo de Maduro e deteve 243 jovens acampados em quatro pontos de Caracas. Um policial de 26 anos, identificado como Jorge Tovar, morreu com um tiro. Outros três ficaram feridos.

O porta-voz afirmou que o Alto Comissariado para os Direitos Humanos recebeu denúncias diretamente de manifestantes, parentes e advogados sobre a "falta de informação sobre o paradeiro dos detidos" após a investida contra os acampamentos.

Na quinta, o ministro do Interior e Justiça, Miguel Rodríguez, justificou a ação policial dizendo que "evidências" mostravam que grupos violentos estavam saindo dos acampamentos para cometer atos terroristas. "Foram apreendidos drogas, armas, explosivos, morteiros e granadas lacrimogêneas. Tudo isso era utilizado no dia a dia para enfrentar as forças de segurança."

Em mensagem de texto enviada para a agência Reuters, um dos detidos negou a versão oficial. "Fomos brutalmente reprimidos. Agora apresentam desculpas como drogas e armas. Faço um pedido de auxílio ao mundo para que observe esta ditadura", disse Francia Cacique, de 24 anos, coordenadora de um dos acampamentos./ EFE

 

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