ONU condena invasão de ONGs por polícia egípcia

Países europeus também protestam contra ação da junta militar, que ordenou a revista de 17 escritórios de grupos estrangeiros

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

31 de dezembro de 2011 | 03h07

A ONU e vários governos europeus atacaram ontem a decisão das autoridades egípcias de invadir os escritórios de ONGs no Cairo e promover interrogatórios com ativistas de direitos humanos. A equipe que conduziu a operação afirmou estar cumprindo ordens de um juiz que teria descoberto como as ONGs estavam sendo financiadas por potências estrangeiras. O juiz teria "sérias evidências de que as entidades estão engajadas em atividades ilegais".

A iniciativa aumentou a tensão entre manifestantes e os militares no Egito. A operação ocorreu no mesmo dia em que um tribunal no Cairo recusou-se a condenar cinco policiais pela morte de ativistas no início do ano, durante a revolta que levou à queda de Hosni Mubarak.

Ravina Shamdasani, porta-voz do Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos, acusou o Cairo de montar uma estratégia para "intimidar defensores de direitos humanos que por muito tempo têm sido críticos em relação às violações aos direitos humanos no Egito".

A ONU pediu que ações como essa sejam evitadas e que o governo garanta que as organizações que representam a sociedade possam atuar "sem interferências". A ONU ainda pediu que as autoridades do governo militar egípcio libertem blogueiros e ativistas mantidos em prisões.

Em Berlim, o governo de Angela Merkel convocou o embaixador egípcio no país para dar explicações sobre o ato. Segundo o porta-voz do governo alemão, Andreas Peschke, as ações são "inaceitáveis". Entre as 17 ONGs assediadas está a Fundação Konrad Adenauer, mantida diretamente pelo partido de Merkel. O governo britânico também lançou seu alerta. "Estamos muito preocupados", afirmou o Ministério de Relações Exteriores. "A sociedade civil tem um papel vital na transição", completou Londres.

Os americanos protestaram contra a invasão dos escritórios de 3 grupos pró-democracia financiados pelos EUA - o Instituto Democrático Nacional e o Instituto Republicano Internacional -, afiliados aos principais partidos políticos dos EUA. As autoridades egípcias também invadiram as dependências da Freedom House (Casa da Liberdade), que tem sede na capital americana.

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