ONU condena Síria por violar direitos humanos

Censura é aprovada com apoio do Brasil; Turquia pede renúncia de Assad

GUSTAVO CHACRA, CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2011 | 03h01

Com o apoio do Brasil, a Assembleia-Geral das Nações Unidas condenou a Síria pela violação dos direitos humanos durante a repressão do regime aos levantes opositores iniciados há oito meses. Foram 122 votos a favor, 13 contra e 41 abstenções.

A decisão isola ainda mais o regime de Damasco. Para agravar a situação, o premiê da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, um dos principais aliados da Síria antes dos levantes, pediu que Bashar Assad "deixe o poder, evitando mais derramamento de sangue". Mais de 3.500 pessoas foram mortas pelo regime.

A votação da ONU registrou outro revés para a Síria: sete países árabes, que já suspenderam o regime de Damasco da Liga Árabe, foram copatrocinadores do texto e votaram pela resolução. Entre essas nações há governos que também têm reprimido manifestações com violência, como Egito e Bahrein.

A Rússia e a China, que vetaram uma resolução no Conselho de Segurança da ONU no início de outubro, abstiveram-se ontem, mas ainda rejeitam uma ação similar no conselho, onde usariam mais uma vez o poder de veto para defender Damasco.

A administração de Dilma Rousseff, que havia optado por se abster no conselho em outubro, votou em favor da moção na assembleia, onde o peso da resolução tem apenas caráter simbólico. Neste ano, os brasileiros vinham mantendo uma posição distinta dos EUA e seus aliados europeus em três dos principais temas na ONU - Líbia, Síria e palestinos.

A embaixadora dos EUA na ONU, Susan Rice, celebrou o resultado. O texto pede às autoridades sírias o cumprimento de suas obrigações internacionais e a total cooperação com a Comissão de Inquérito estabelecida pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra.

Apesar da derrota, o regime de Assad ainda mantém apoios. Os representantes de Venezuela, Cuba, Nicarágua, Irã e Vietnã discursaram em defesa de Assad.

Segundo o embaixador da Síria na ONU, Bashar Jaafari, "a resolução faz parte de uma política dos EUA contra os sírios". O diplomata da Síria atacou a Arábia Saudita, ironizando a monarquia de Riad por apoiar uma resolução de direitos humanos. "Como podem nos condenar quando levamos em conta a forma como eles tratam minorias religiosas e mulheres?", questionou.

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