ONU confirma massacre em estádio da Guiné

No momento em que o continente africano se prepara para receber, pela primeira vez, uma Copa do Mundo, investigações realizadas pela Organização das Nações Unidas (ONU) e por uma organização não-governamental (ONG) independente comprovam que um estádio de futebol foi usado, há três meses, para perpetuar um massacre que pode ter deixado até 200 mortos.

AE, Agencia Estado

21 de dezembro de 2009 | 10h03

A matança ocorreu em Conacri, capital da Guiné - ex-colônia francesa de 10 milhões de habitantes situada no oeste africano. O estádio da capital foi invadido por soldados do Exército durante um protesto pacífico, convocado por civis, pedindo democracia. Além de abrir fogo contra a multidão, soldados estupraram mulheres no gramado e executaram civis nos vestiários e até nas arquibancadas.

A porta-voz da ONU, Helena Ponomareva, confirmou na semana passada em Genebra que há indicações de envolvimento oficial do Exército no massacre. Segundo ela, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, está a par da investigação e deve anunciar medidas nos próximos dias. De acordo com o relatório, o governo tentou camuflar o massacre, retirando dezenas de corpos do estádio.

Guiné vive uma das ditaduras militares mais violentas do continente africano. O líder da junta que comanda o país, capitão Moussa Dadis Camara, é conhecido por sua truculência. Ele tomou o poder em dezembro do ano passado, após a morte do presidente Lansana Conte - um general que governava Guiné desde 1984.

Baleado

Camara, o atual ditador, foi baleado há duas semanas por seu principal assessor, Abubakar Toumba Diakite, que fugiu. O líder da junta sobreviveu, mas foi seriamente ferido. A rádios francesas, Diakite explicou que atirou em Camara para tentar se defender do que ele acredita ser uma campanha do presidente para jogar nele a responsabilidade pelo massacre no estádio de Conacri.

O protesto que levou à matança ocorreu em 28 de setembro e foi convocado como uma grande festa cívica pela volta da democracia. O estádio estava lotado quando um grupo de soldados entrou em campo atirando e batendo em quem encontrava pela frente. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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