ONU consegue iniciar ponte aérea de ajuda emergencial à Somália

Avião deve transportar pelo menos 10 toneladas de provisões para tratar desnutrição infantil

Efe

27 de julho de 2011 | 12h21

Mulheres e crianças esperam por ajuda em um acampamento montado próximo ao aeroporto de Mogadíscio

 

 

NAIRÓBI - O Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU conseguiu nesta quarta-feira, 27, iniciar uma ponte aérea emergencial para enviar alimentos de Nairóbi para crianças em Mogadíscio, com o fim de combater a crise de fome na Somália.

 

"O avião decolou com rumo à capital somali", confirmou à Agência Efe Challiss McDonough, porta-voz do PMA, que detalhou que a aeronave transportava pelo menos 10 toneladas de provisões de emergência preparadas para tratar a desnutrição infantil.

 

O avião, que não conseguiu decolar nesta terça-feira devido aos trâmites burocráticos no Aeroporto Internacional Jomo Kenyatta, de Nairóbi, se dirige a Mogadíscio uma semana depois que a ONU declarou oficialmente o estado de crise de fome em duas regiões do sul da Somália.

 

Outro porta-voz do PMA, David Orr, que está na aeronave, disse à Efe antes de decolar que, "nos próximos 10 dias, se espera levar até Mogadíscio por via aérea cerca de 80 toneladas" desse tipo de alimentos para crianças desnutridas.

  

União Europeia

 

A comissária europeia de Cooperação Internacional, Ajuda Humanitária e Situações de Emergência, Kristalina Georgieva, afirmou nesta quarta-feira que a situação provocada pela crise de fome na Somália é "dilaceradora" e destacou que é "absolutamente essencial" que o apoio internacional chegue de forma urgente "ao interior" do país.

 

Georgieva, que retornou nesta quarta-feira a Bruxelas após visitar algumas das áreas mais afetadas pela crise de fome na Somália e no Quênia, afirmou em entrevista coletiva que é "absolutamente essencial entregar a ajuda dentro da Somália".

 

A comissária indicou que a população, vítima da fome e da seca, está se deslocando maciçamente em busca de alimentos, e que muitas pessoas morrem ao realizar essa longa viagem.

 

"O que vi na Somália é assustador. Famílias inteiras cruzando a fronteira para a Etiópia. As pessoas chegam exaustas da Somália e a taxa de mortes aumenta", comentou.

 

"Devemos fazer todo o possível para proporcionar a ajuda dentro da Somália, para que as pessoas não morram ao fazer esse percurso", acrescentou.

 

Durante sua visita à Somália e ao Quênia, Georgieva anunciou uma nova ajuda imediata da Comissão Europeia no valor de 27,8 milhões de euros, que se somam aos 70 milhões já concedidos neste ano à região.

 

A comissária percorreu o campo de refugiados queniano de Dadaab, onde se reuniu com famílias somalis afetadas por décadas de conflito em seu país, assim como pela pior seca que a região registra em 60 anos.

 

Também viajou à localidade de Doolow, ao sul da Somália, onde conheceu de perto a situação dos refugiados internos e visitou projetos humanitários.

 

"Em Dadaab, mais de 400 mil pessoas vivem em um campo de refugiados criado para 90 mil. A cada dia, mais de 3 mil somalis fogem através das fronteiras de seu país em busca de comida e segurança na Etiópia e no Quênia", ressaltou Georgieva.

 

Quênia

 

No Quênia, Georgieva se reuniu com diferentes autoridades em Nairóbi e percorreu vários projetos de resposta à seca e redução de riscos financiados pela União Europeia (UE).

 

A seca e o deslocamento dos habitantes da região do Chifre da África (Somália, Etiópia, Djibuti e Eritreia), além da alta dos preços dos alimentos e a diminuição dos recursos, causaram uma grave crise humanitária que afeta 11 milhões de pessoas.

 

"Esta crise sem precedentes no Chifre da África precisa de uma resposta sem precedentes", afirmou Georgieva, que lembrou que a Comissão está preparando a mobilização de outros 60 milhões de euros.

 

O conjunto da UE já doou 217 milhões a essa região em 2011, dos quais mais de 97 foram fornecidos pela Comissão Europeia.

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