ONU consegue reunião com ditador birmanês

Enviado Ibrahim Gambari será finalmente recebido hoje pelo chefe da junta militar, Than Shwe, na isolada capital

Reuters e AP, O Estadao de S.Paulo

02 de outubro de 2007 | 00h00

Rangum - O general Than Shwe, chefe da junta militar que governa Mianmá (ex-Birmânia), adiou o quanto pôde a reunião com o enviado da ONU Ibrahim Gambari, mas ontem aceitou conversar e marcou um encontro para hoje na nova capital do país, Naypyitaw, isolada no meio da selva. Gambari chegou sábado ao país para negociar o fim da repressão aos protestos contra o regime. Desde então, reuniu-se com quase todos os generais da junta e até com a Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, líder opositora mantida em prisão domiciliar, mas só ontem obteve, segundo a ONU, sinal verde para ver Shwe.Em discurso na Assembléia-Geral da ONU, o chanceler birmanês, U Nyan Win, acusou "oportunistas políticos" de tentar desestabilizar o país com ajuda externa. Ele disse que a "estratégia neocolonialista de desestabilização" não deu certo e Mianmá "voltou à normalidade". O Exército começou ontem a desmontar as barricadas de arame farpado montadas nas ruas de Rangum. Os mosteiros das principais cidades continuaram cercados. Segundo grupos de defesa dos direitos humanos, cerca de mil pessoas, entre monges e civis, estão desaparecidas. Elas estariam em prisões improvisadas em fábricas desativadas, estádios e universidades na região de Rangum. A rádio birmanesa Mizzima, que opera no exílio, informou que soldados estariam recrutando manifestantes nas áreas mais pobres para participar de uma passeata pró-governo. Eles estariam oferecendo 3 mil kyats (R$ 4) a quem aderir.A rede de TV britânica BBC anunciou ontem que 4 mil monges detidos durante a repressão aos protestos do últimos dias serão mandados para prisões isoladas no extremo norte do país.

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