ONU constata uso de armas químicas na Síria

A Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou em um relatório sobre a Síria nesta terça-feira que há "fundamentos razoáveis" para acreditar que quantidades limitadas de agentes químicos tóxicos foram usados como armas em, pelo menos, quatro ataques na guerra civil no país. No entanto, a instituição disse que são necessárias mais provas para determinar quais agentes químicos foram usados ou quem os utilizou.

AE, Agência Estado

04 de junho de 2013 | 08h08

"Existem fundamentos razoáveis para acreditar que agentes químicos foram usados como armas", disse o relatório. "Não foi possível, com as evidências disponíveis, determinar os agentes específicos químicos utilizados, os sistemas de lançamento ou o autor da ação".

A comissão de investigação da ONU afirmou que resultados conclusivos poderão ser alcançados somente após testes de amostras tiradas diretamente de vítimas ou do local dos supostos ataques. O grupo pediu que Damasco permitisse que uma equipe de especialistas entrasse no país.

O relatório da comissão ao Conselho de Direitos Humanos sobre violações no conflito da Síria acusou os dois lados de cometerem crimes de guerra. Em uma aparente mensagem aos países europeus, que analisam a possibilidade de armar rebeldes sírios, o documento alertou que a transferência de armas aumentaria o risco de violações, levando a mais mortes e ferimentos de civis.

"Crimes de guerra e crimes contra a humanidade tornaram-se uma realidade diária na Síria, onde relatos angustiantes de vítimas ficaram marcados em nossa consciência", disse o relatório. "Há um custo humano para o aumento da disponibilidade de armas", acrescentou.

O relatório disse que há denúncias feitas contra forças do governo, mas não descartou que rebeldes podem ter usado armas químicas.

"É possível que grupos armados anti-governamentais possam ter acesso e usar armas químicas... embora não haja evidências de que estes grupos possuam tais armas ou que os sistemas de lançamento necessários", disse o relatório.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, nomeou uma equipe da ONU para analisar supostos ataques com armas químicas na Síria depois que o governo sírio lhe pediu para investigar um suposto ataque de rebeldes em 19 de março. O incidente teria acontecido em Khan al-Assal, uma aldeia no norte da cidade de Alepo. Mas o governo sírio insiste que a investigação fique limitada a este ataque.

Soldados sírios foram mortos e feridos no incidente. Rebeldes no país, por outro lado, culpam as forças sírias. Ativistas de oposição ao regime do governo enumeraram mais de seis casos em que as forças do regime usaram armas químicas.

Ban insiste em uma investigação mais ampla, incluindo um incidente ocorrido em dezembro, em Homs. Ele nomeou o especialista em armas químicas Ake Sellstrom para liderar uma investigação da ONU. A Síria tem se recusado a permitir que a equipe entre no país.

A confirmação do uso de armas químicas pode intensificar a resposta internacional ao conflito que dura mais de dois anos e que já matou mais de 70 mil pessoas, segundo as Nações Unidas.

O relatório, que abrange o período entre meados de janeiro a meados de maio, acusou os dois lados de cometerem crimes de guerra. Do lado do governo, o relatório acusa as forças do governo e milícias afiliadas de cometerem tortura, estupro, entre outros crimes. Do lado rebelde, o relatório acusa grupos armados de realizarem sequestros e roubos.

Mas o documento afirma que as violações e abusos por parte dos rebeldes "não atingiram a intensidade e a escala dos atos cometidos por forças do governo e milícias filiadas".

"Um perigoso estado de fragmentação e desintegração da autoridade prevalece em áreas sob o controle de grupos armados anti-governo, apesar das tentativas de preencher a lacuna deixada pela retirada do Estado através da criação de conselhos locais", disse. Fonte: Associated Press.

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