ONU continua com operações de ajuda à Somália, apesar de ameaças de milícia

Grupo armado disse que não permitiria entrada de ajuda humanitária às regiões de Bakool e Lower Shabelle

Efe

22 de julho de 2011 | 12h19

GENEBRA - As agências humanitárias da ONU relataram nesta sexta-feira, 22, que, por enquanto, suas operações em prol das vítimas da crise de fome na Somália não foram impedidas pela milícia islâmica Al Shabab, que acusou o organismo de "exagerar" na situação.

 

O grupo armado, que é vinculado à Al-Qaeda, minimizou a amplitude da crise de fome declarada em duas regiões do sul da Somália - Bakool e Lower Shabelle - que estão sob seu controle, e acusou a ONU de ter motivações políticas, proibindo-a de operar nessas regiões.

 

Questionada sobre essa advertência, uma porta-voz do Programa Mundial de Alimentos (PMA) lembrou que o Al Shabab "não é uma organização monolítica" e que não tem um controle uniforme em todo o sul do país.

 

"Não existe um comando único", afirmou a porta-voz Emilia Casella, que relatou que o organismo "trabalha onde é factível".

 

Casella declarou que o PMA aplica seus planos de distribuição de ajuda quando recebe garantias tanto de segurança para seu pessoal, quanto de que os mantimentos chegarão a quem mais necessita.

 

"A situação é desesperadora. Trata-se de uma missão para salvar vidas, portanto somos obrigados a executá-la", afirmou Casella em entrevista coletiva concedida em Genebra, de onde é coordenada a assistência humanitária da ONU para a Somália.

 

O diretor regional do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) para o leste e o sul da África, Elhadj As Sy, afirmou que o organismo foi um dos poucos "que nunca deixou a Somália", onde atua há décadas.

 

"Ainda em situações de acesso limitado, encontramos maneiras de negociar com líderes comunitários e chefes tribais. Por enquanto não temos indicações de que isto tenha mudado", relatou o representante do Unicef através de teleconferência.

 

Já o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) declarou: "Não temos evidência de que nosso trabalho esteja ameaçado por esta declaração (da Al Shabab)".

 

No entanto, detalhou que não trabalha com funcionários próprios na Somália, mas através de organizações locais.

 

Por sua vez, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) indicou que não encontrou obstáculos para continuar trabalhando na Somália porque tem acordos sobre as condições nas quais opera nas áreas afetadas pela seca.

 

"Durante nossa presença permanente na Somália mantivemos um enfoque independente e neutro no conflito, o que nos ajudou a sermos aceitos pelas autoridades locais", explicou a entidade.

 

A Al Shabab conseguiu no ano passado com que várias organizações humanitárias interrompessem seu trabalho no sul da Somália através de ataques a seus colaboradores, da proibição de que mulheres trabalhassem em seus projetos e de exigências de dinheiro em troca de uma suposta proteção.

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