ONU convoca etnias afegãs para reunião

Líderes da Aliança do Norte pediram às Nações Unidas para encontrarem representantes do grupo étnico mais vinculado ao Taleban que possam participar de um encontro visando a formar um novo governo no país destroçado pela guerra. A aliança, formada basicamente por tajiques, usbeques e hazaras étnicos, concordou em participar de conversações patrocinadas pela ONU, provavelmente na Europa, sobre o estabelecimento de um governo multiétnico de amplas bases. Entretanto, o grupo étnico dominante, o pashtun, provavelmente não aceitará tal governo, a menos que tenha nele um papel de destaque.O ministro do Exterior da aliança, Abdullah Abdullah, disse que seu grupo não tem "indicações específicas" na comunidade pashtun e que as Nações Unidas deveriam encontrar representantes desse grupo étnico. Ele afirmou à Associated Press que a única condição da aliança é que nenhum líder do antigo Taleban seja escolhido como representante pashtun. A Aliança do Norte capturou Cabul na semana passada, depois que o Taleban fugiu da cidade após ter sido expulso do norte do país por intensos bombardeios aéreos dos EUA.O líder da Aliança do Norte, o ex-presidente Burhanuddin Rabbani, é um tajique étnico. O Taleban é, na maioria, pashtun. A tarefa de encontrar uma forte alternativa pashtun que possa participar de um governo de amplas bases tem sido muito difícil.O Taleban enforcou Abdul Haq, um ex-guerrilheiro e líder pashtun, cerca de duas semanas antes de entrar em colapso. Haq estava no Afeganistão central, nas proximidades de Cabul, tentando unir tribos pashtuns contra o Taleban. Hamid Karzari, outro líder pashtun que lidera a grande tribo popolzai na região de Kandahar, sul do país e quartel-general do Taleban, também tem tentado apresentar uma alternativa à milícia fundamentalista.Entretanto, até agora, nenhuma figura emergiu na comunidade pashtun com ampla aceitação como líder. Rivalidades pessoais e tribais têm inibido esforços de líderes pashtuns para pressionar o Taleban a abandonar Kandahar, a única grande cidade ainda sob seu controle.Os Estados Unidos e seus parceiros da coalizão esperavam que o rei exilado afegão, Mohammad Zaher Shah, assumisse um papel de liderança e convocasse uma conferência multipartidária sob os auspícios da ONU. Entretanto, o antigo rei, que é pashtun, tem 87 anos e vive exilado em Roma há mais de 30 anos, e os esforços para que fosse lançado um grande desafio ao Taleban sob sua liderança têm tido poucos progressos.Mesmo partidários de Zaher Shah não acreditam numa volta da monarquia.O regime de Rabbani relutava em aceitar um destacado papel para o rei - mesmo na convocação de um conselho - mas começa a se curvar diante de intensa pressão dos EUA.Rabbani tem insistido em que qualquer conselho do tipo seja realizado em Cabul, e o rei poderia participar apenas como um cidadão comum. No domingo, entretanto, Abdullah aceitou que o conselho se reúna fora do Afeganistão, após conversações no Usbequistão com o enviado americano James F. Dobbins. "Nossa preferência era Cabul, mas, já que será o primeiro encontro depois de todos os desdobramentos, não queremos que o local se torne um obstáculo", afirmou hoje Abdullah. Leia o especial

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