ONU convoca sessão emergencial para Mianmá

Conselho de Direitos Humanos da ONU tenta acabar com o uso da violência contra protesto de monges

Agências internacionais,

28 de setembro de 2007 | 08h52

O Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas convocou uma reunião emergencial para discutir o conflito em Mianmá, onde o regime militar que administra o país intensificou a repressão aos protestos por sua retirada liderados por monges. Segundo o governo, pelo menos 10 pessoas foram mortas.  Veja também:Jornalista japonês é morto por policiais Entenda a crise e o protesto dos monges Dissidentes cibernéticos driblam censura  População apóia protesto dos monges Feridos temem prisão em hospitais, diz ONGChefe da Junta Militar comanda repressãoOs cybercafés de Mianmá amanheceram fechados nesta sexta-feira, 28, por ordem das autoridades militares, que pretendem impedir que qualquer informação sobre a repressão exercida contra os  protestos seja enviada ao exterior.Fontes da dissidência informaram que na noite de quinta-feira, o governo cortou o serviço dos provedores de internet do país. Além disso, a Junta Militar interrompeu o serviço de ligações telefônicas para o exterior a partir do meio-dia, horário em que começam as manifestações.O uso da violência contra os monges budistas e a população que exigem a retirada do regime ditatorial do poder começou na quarta-feira. O secretário-geral da ONU, Ban-Ki Moon, despachou Ibrahim Gambari, enviado especial para o sudeste asiático, com a esperança de que o conflito na região seja solucionadoSegundo a BBC, o brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, relator especial da ONU sobre a situação de direitos humanos em Mianmá, alertou nesta quinta-feira que, se a comunidade internacional não atuar imediatamente em Mianmar, poderá haver "um banho de sangue" no país asiático. Pinheiro disse ainda à Associated Press que "a comunidade internacional será responsável pelo que acontecer em Mianmá".A repressão às manifestações no país de 56 milhões de habitantes começou na quarta, quando as forças do governo usaram gás lacrimogêneo e cassetetes para dispersar os manifestantes. Cerca de 200 monges foram presos. Até o mês passado, aconteceram apenas passeatas esporádicas contra o aumento do preço dos combustíveis, mas desde então elas cresceram e se tornaram grandes manifestações populares contra os 45 anos de regime militar na antiga Birmânia, ecoando a rebelião de monges e estudantes em 1988.  Influência chinesaAs grandes potências e os países da região, em especial a China (que tem grande influência sobre Mianmá), deveriam lidar com a situação com urgência, avalia o brasileiro."A China já tem expressado para as autoridades de Mianmá a necessidade de elas não lidarem dessa maneira com os protestos e caminharem na direção de um processo de transição. Espero que a Rússia também venha a colaborar."A China e a Rússia adotam a posição de que os problemas em Mianmá são questões internas do país e vetaram, em janeiro, uma resolução da ONU que criticava o governo militar birmanês.O primeiro-ministro do japão, Yasuo Fukuda, pediu ao seu colega chinês, Wen Jiabao, que "exerça sua influência" sobre Mianmar para resolver a crise no país, informou a agência japonesa Kyodo. Um repórter japonês morreu na quinta durante os protestos contra a Junta Militar birmanesa, acertado pelos tiros de soldados que dispersavam os manifestantes.Os Estados Unidos e a União Européia já decretaram diversas sanções contra o regime militar de Mianmá. No entanto, paradoxalmente, isso significa que esses países têm relativamente poucas cartas na manga para influenciar a junta militar que governa o país.

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