ONU corta ajuda na Somália após prisão de funcionário

Distrubuição de alimentos foi interrompida depois que soldados invadiram escritório das Nações Unidas

Agências internacionais,

17 de outubro de 2007 | 11h29

As Nações Unidas anunciaram nesta quarta-feira, 17, que interromperam a distribuição de alimentos na capital da Somália, Mogadiscio, depois que o chefe do escritório do Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU, Idris Mohammed Osman, foi detido por um grupo soldados das tropas governamentais. Segundo a BBC, o programa afirma que cerca de 60 soldados invadiram o local e levaram Osman sem mais explicações. As informações não-oficiais indicam que Mohammed Osman está nas sedes sociais de segurança nacional, onde estaria sendo interrogado pelas autoridades governamentais. "Não sabemos nem o motivo (da detenção) nem o paradeiro dele", disse um fonte, que pediu anonimato. "Esta detenção é totalmente ilegal" e priva o funcionário da ONU de "seus direitos", acrescentou. Os serviços de segurança nacional não quiseram fazer comentários sobre o caso, e as razões da detenção não estão claras. Por trás deste incidente poderia estar o conflito que se arrasta há meses entre as organizações humanitárias e o governo de transição somali sobre a ajuda fornecida às pessoas que fugiram de Mogadiscio e que se refugiaram nos arredores da capital desde março. O governo acusou os fugitivos de serem familiares de terroristas e pediu às agências humanitárias que não forneçam a eles nenhum tipo de ajuda, enquanto a ONU os considera civis inocentes deslocados de seus lares. Quando começaram os choques de março, que deixaram mais de mil mortos, cerca de 350 mil pessoas se deslocaram para os arredores da capital. O prefeito de Mogadiscio, Mohammed Omar Habeb, afirmou em agosto que qualquer organização que fornecesse ajuda a estas pessoas seria considerada um elemento de apoio aos terroristas. As agências da ONU e organizações de direitos humanos condenaram o prefeito por tratar os indigentes como criminosos, devido às disputas entre clãs. "Estamos preocupados com nossa segurança porque o Governo de transição (somali) não está garantindo a segurança do pessoal das Nações Unidas em Mogadiscio", afirmou.

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