ONU critica Iraque por reter dados sobre mortes de civis

A ONU criticou nesta quarta-feira, 25, o governo iraquiano por não divulgar ao público as cifras de mortos civis na guerra e disse que a situação humanitária no país está se deteriorando rapidamente. A Missão de Assistência da ONU no Iraque (Unami) disse que o governo local está escondendo os dados relativos à violência entre xiitas e sunitas, que não dá sinais de trégua - nesta quarta, um homem-bomba matou 9 pessoas e feriu 16 dentro de uma delegacia na instável província de Diyala, segundo a polícia. A Unami disse em janeiro que 34.452 civis haviam sido mortos e mais de 36 mil haviam ficado feridos em 2006, cifras muito superiores a qualquer estatística divulgada previamente pelo governo. O gabinete de Maliki não comentou as declarações da agência da ONU. O relatório da ONU diz ainda que acadêmicos, jornalistas, médicos e membros de minorias étnicas e religiosas são cada vez mais alvos de intimidações, seqüestros e assassinatos. O texto também manifesta preocupação com o tratamento dispensado a 3.000 suspeitos presos durante a operação de segurança em Bagdá. Cresce também o número de mortos militares. Contando a morte de um soldado britânico na segunda-feira em Basra (sul), este já é o mês com mais baixas para o Reino Unido desde em março de 2003, o primeiro mês da guerra, quando houve 27 mortos. Em abril, o Reino Unido já perdeu 11 militares no Iraque, elevando o total no conflito a 145. Também na segunda-feira, dois caminhões-bomba mataram nove soldados dos EUA em Diyala, elevando o total da guerra a mais de 3.300 militares mortos. Os britânicos, que pretendem cortar um quarto do seu contingente de 7.000 militares em Basra nos próximos meses, dizem estar sendo alvo de uma onda de ataques no sul do país, onde há forte presença da milícia Exército Mehdi, ligada ao clérigo xiita Moqtada Al Sadr. Os britânicos não identificaram, porém, quem está por trás do ataque.Reposta do IraqueO governo de Nuri al-Maliki, que é xiita, acusou a Unami de exagerar o número de vítimas e proibiu as autoridades iraquianas de divulgarem dados. Além disso os iraquianos disseram que o relatório divulgado pela ONU sobre as condições do país é "impreciso". "A Unami enfatiza mais uma vez que é da máxima necessidade que o governo iraquiano opere de maneira transparente, e não aceita a sugestão do governo de que a Unami usou cifras de mortalidade de modo inapropriado", disse relatório da agência, alertando para "imensos desafios de segurança" e "uma crise humanitária que piora rapidamente". As autoridades iraquianas dizem que o número de vítimas civis diminuiu em Bagdá desde o início da atual operação de segurança, há nove semanas. Mas os comandantes militares dos EUA admitem que uma onda de carros-bomba acabou elevando o total nacional de mortos. O governo não divulga dados específicos, usa apenas porcentagens para descrever aumentos ou diminuições em linhas gerais.

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