ONU critica Israel por emprego desnecessário da força no Dia da Nakba

Segundo jornal Haaretz, Chancelaria israelense suspendeu contatos com autor do documento

Efe

06 de julho de 2011 | 09h53

JERUSALÉM - Um novo relatório da ONU critica duramente Israel pelo uso desproporcional da força contra manifestantes libaneses durante os distúrbios registrados em 15 de maio, no Dia da Nakba, nos quais morreram sete pessoas, informa o diário "Haaretz" nesta quarta-feira, 6.

 

O documento não repercutiu bem em Israel e o Ministério das Relações Exteriores do país suspendeu até segunda ordem os contatos com seu autor, o coordenador especial das Nações Unidas para o Líbano, Michael Williams.

 

O documento foca fundamentalmente nos casos registrados no Dia da Nakba, data em que os palestinos lembram o exílio e o trauma que representou para eles a criação do Estado de Israel em 1948.

 

Na zona fronteiriça do Líbano, sete pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridas por fogo israelense quando se manifestavam durante essa data.

 

Nas conclusões do relatório recentemente entregue aos membros do Conselho de Segurança e ao que teve acesso o "Haaretz", o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, expressa sua preocupação com o "uso direto de fogo real contra manifestantes desarmados".

 

Cerca de dez mil manifestantes participaram dos protestos do Dia da Nakba no Líbano, a maior parte refugiados palestinos.

 

Ao redor de 1 mil participantes se separaram da manifestação principal, na qual não houve desordem, e se dirigiram rumo à cerca fronteiriça com Israel, para onde lançaram pedras e artefatos incendiários, diz o documento.

 

O relatório se baseia em uma investigação elaborada pela Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Finul) e aponta que os manifestantes palestinos foram os responsáveis pelo início dos distúrbios, sendo os primeiros a empregar a violência, violando a resolução 1.701, que pôs fim à guerra entre Israel e a milícia xiita libanesa Hezbollah em 2006.

 

O relatório, no entanto, critica abertamente o Exército israelense porque, "à parte de efetuar disparos de advertência, não empregou métodos convencionais para dispersar os concentrados e utilizou armas letais".

 

A ONU vai além, ao afirmar que "o disparo de fogo real pelas Forças de Defesa de Israel em direção ao outro lado da Linha Azul (fronteiriça com o Líbano) contra os manifestantes constitui uma violação da resolução 1.701 e não foi proporcional à ameaça que sofriam os soldados israelenses".

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