EFE/MartialTrezzini
EFE/MartialTrezzini

ONU critica Pequim por repressão a muçulmanos uigures

Relator sobre liberdade de culto diz ter informação 'inquietante' sobre provocação e intimidação da minoria étnica

GENEBRA, O Estado de S.Paulo

12 Março 2015 | 02h01

O investigador da ONU que avalia a situação dos direitos humanos, Heiner Bielefeldt, criticou a China ontem pela repressão aos muçulmanos uigures na região de Xinjiang, extremo oeste do país. Ele citou "informações inquietantes" sobre atos de provocação e de intimidação contra a minoria étnica.

Xinjiang vem testemunhando aumento nas tensões étnicas entre os uigures e a maioria chinesa han. Grupos uigures e ativistas dos direitos humanos afirmam que a política repressiva do governo, como o controle da prática da religião islâmica, está provocando agitação.

Bielefeldt, relator especial sobre liberdade de culto ou convicção religiosa, disse numa reunião que as ações da China contra os uigures constituem "um grave problema".

"Ouvi falar de histórias inquietantes de provocações e intimidações durante o Ramadã, como obrigar alunos nas escolas a quebrar o jejum", contou, referindo-se ao feriado religioso de um mês de duração, quando os muçulmanos praticantes não comem durante o dia.

Algumas cidades de Xinjiang estabeleceram restrições aos trajes islâmicos, até mesmo na capital, Urumqi, que proibiu o uso do véu em público no final do ano passado.

Bielefeldt criticou também a China por contestar a reencarnação dos monges tibetanos, afirmando que Pequim está "destruindo a autonomia das comunidades religiosas, envenenando as relações entre diferentes subgrupos, criando cismas, colocando as pessoas umas contra as outras a fim de exercer o controle".

Ativistas criticam a China por insistir em sua guerra ao terrorismo em Xinjiang com o objetivo de dividir os uigures. Centenas deles morreram em razão da violência nos últimos anos em Xinjiang. Pequim atribuiu os atentados na China a militantes de Xinjiang e afirmou que separatistas lutam para estabelecer um Estado independente. / REUTERS

Mais conteúdo sobre:
ONU muçulmanos O Estado de S. Paulo

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.