ONU critica sauditas por civis mortos no Iêmen

Ao menos 40 pessoas morreram emataque aéreo a campo de refugiados

SANAA , O Estado de S.Paulo

01 de abril de 2015 | 02h01

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e a Cruz Vermelha condenaram ontem as mortes de civis e crianças no Iêmen, onde a Arábia Saudita lançou uma ofensiva contra milícia xiita Houthi. Na segunda-feira, ao menos 40 civis morreram quando os bombardeios atingiram um campo de refugiados. Na última semana, pelo menos 62 crianças também morreram.

De acordo com o escritório de direitos humanos da ONU em Genebra, nos últimos cinco dias, 93 civis foram mortos e 364 ficaram feridos em cinco cidades iemenitas. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha pediu a todas as partes do conflito que permitam a entrega de medicamentos aos feridos.

Enquanto isso, aviões de combate da coalizão árabe bombardearam pelo sexto dia consecutivo posições dos houthis, destruindo mísseis e arsenais dos xiitas que controlam o aeroporto e regiões no entorno da cidade portuária de Áden.

A Unicef condenou a morte de 62 crianças na última semana no Iêmen. Segundo levantamento da entidade, outras 30 ficaram feridas.

"As crianças estão em necessidade desesperada de proteção e todas as partes do conflito devem fazer tudo o que podem para manter as crianças a salvo", afirmou, em comunicado, Julien Harneis, representante da Unicef no Iêmen.

Segundo a Unicef, os combates têm afetado seriamente os serviços básicos de saúde e educação, enquanto a violência e a necessidade de fuga têm deixado as crianças amedrontadas

Bombardeio. Durante a noite, a coalizão atacou posições dos rebeldes xiitas em Sanaa, capital do Iêmen. Ao menos 36 milicianos morreram. Disparos de artilharia no distrito de Khor Maksar, em Áden, mataram 26 pessoas durante a noite, segundo funcionário do Ministério da Saúde.

Projéteis também atingiram um edifício residencial próximo a uma casa que já foi usada por Hadi, matando dez combatentes leais ao presidente, disse uma testemunha à agência de notícias Reuters. O presidente, no momento, está na Arábia Saudita.

O Irã enviou ajuda aos houthis no Iêmen. De acordo com a agência de notícias iraniana Irna, foram enviadas 19 toneladas de medicamentos e equipes médicas, via Cruz Vermelha iraniana.

Teerã advertiu que o ataque saudita ameaça colocar em perigo todo o Oriente Médio e pediu o fim imediato das operações militares.

"O fogo da guerra arrastará toda a região", afirmou o vice-ministro iraniano das Relações Exteriores, Hosein Amir Abdola. "As operações militares devem parar imediatamente."

O ministro saudita das Relações Exteriores, o príncipe Saud al-Faisal, denunciou novamente o apoio do Irã aos rebeldes xiitas que desestabilizaram o Iêmen e afirmou que seu país não buscou a guerra. Os dois países, que estão entre os principais produtores de petróleo do mundo, disputam a hegemonia regional.

Espaço aéreo. Ainda ontem, a Agência Europeia de Segurança Aérea (Easa, na sigla em inglês) alertou para o risco de companhias aéreas sobrevoarem o espaço aéreo do Iêmen.

A agência, que regula a aviação em toda a Europa, não baniu diretamente as empresas de sobrevoarem o país, mas fez um apelo para cada um dos 28 Estados-membros da União Europeia para levarem em conta a decisão da França, que pediu a suas linhas aéreas que não entrem no espaço aéreo iemenita.

Apesar de não fazer parte da União Europeia, a Turquia anunciou que a empresa Turkish Airlines suspendeu os seus voos de Istambul para o Iêmen até o dia 5 de abril. Nos Estados Unidos, Administração Federal da Aviação (FAA) baniu todos os voos para o Iêmen operados por empresas americanas. / REUTERS, AFP e AP

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