ONU culpa EUA e Israel por agravar crise no Oriente Médio

Diplomata diz que palestinos também não se esforçam para acabar com a violência

Agencia Estado

18 Junho 2007 | 11h59

Um relatório confidencial elaborado por Álvaro de Soto, ex-enviado da ONU ao Oriente Médio, culpa os Estados Unidos e Israel pelo agravamento do conflito no Oriente Médio e critica as Nações Unidas.O relatório de "fim de missão", divulgado nesta quarta-feira pelo jornal britânico The Guardian, documenta o fracasso da diplomacia e condena o boicote internacional ao governo palestino democraticamente eleito nas urnas, com a vitória do Hamas, no ano passado.O documento tem data de 5 de maio, pouco antes de o veterano diplomata peruano deixar o cargo e as Nações Unidas. Em declarações ao Guardian, De Soto assumiu a autoria do relatório. Mas disse que ele não deveria ter sido publicado e seu caráter era "confidencial".De Soto, crítico do boicote da comunidade internacional aos palestinos, acusa o Quarteto formado pelos EUA, União Européia, Rússia e ONU de impor sanções a um "governo livremente eleito por um povo sob ocupação".O ex-enviado especial da ONU acusa os negociadores e o governo israelense de impor aos palestinos condições para a abertura de um diálogo que são impossíveis de cumprir. Ele considera "extremamente míope, na melhor das hipóteses" o boicote internacional aplicado aos palestinos após as eleições e afirma que a medida teve "conseqüências desastrosas" para o povo.Israel, por sua vez, adotou, segundo o diplomata, uma atitude "essencialmente de rejeição".Nos últimos dois anos, o Quarteto vem perdendo gradualmente sua imparcialidade, aponta De Soto. Ele culpa a influência arrasadora dos EUA e a "conseqüente tendência à autocensura" na ONU quando se trata de criticar Israel.Prioridade na ONUO autor do relatório diz que o tempo todo "as relações com os EUA e Israel" recebem prioridade nas Nações Unidas.De Soto, no entanto, também culpa os dirigentes palestinos, que acusa de não fazer esforços para acabar com a violência contra os israelenses.O diplomata diz que, desde que ganhou as eleições, o Hamas tentou formar um Gabinete de ampla coalizão com seus rivais mais moderados, como o Fatah. Os EUA, no entanto, convenceram outros políticos palestinos a não aderir ao Governo."Fomos informados que os EUA se opunham a uma suavização da linha que separa o Hamas dos partidos palestinos comprometidos com a solução de dois Estados", escreve De Soto.Os EUA apoiaram ainda a decisão israelense de congelar a entrega aos palestinos da arrecadação tributária correspondente ao seu território."Em qualquer situação na qual a ONU deve adotar uma posição, o reflexo imediato é perguntar qual será a reação dos EUA e de Israel, e não o de adotar a decisão correta", critica De Soto.Segundo o diplomata, os EUA claramente queriam um enfrentamento entre Fatah e Hamas. Mas a diplomacia americana se equivocou em relação ao presidente palestino, Mahmoud Abbas, que, segundo o texto, preferia atrair o Hamas.De Soto cita um funcionário americano não identificado que declarou: "Gosto desta violência, porque significa que há palestinos que resistem ao Hamas".No relatório, o diplomata fala de sua frustração por não ter recebido autorização para se reunir com o Hamas e o governo da Síria, em Damasco.Matéria alterada às 04h47.

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