Mustafa Abdi/AFP
Mustafa Abdi/AFP

ONU declara crise de fome entre metade da população da Somália

Pior seca em 50 anos e 2 décadas de conflitos agravam miséria; em dois meses, todo país pode [br]ser incluído em alerta

, O Estado de S.Paulo

21 de julho de 2011 | 00h00

NAIRÓBI

A Organização das Nações Unidas (ONU) declarou ontem que há uma crise de fome no sul da Somália. O conflito em andamento no país e a pior seca em mais de 50 anos agravaram as condições precárias de vida de 3,7 milhões de pessoas, o equivalente a quase metade da população.

A crise de fome é declarada quando dois adultos ou quatro crianças morrem por dia entre 10 mil pessoas e com casos de desnutrição aguda em mais de 30% das crianças. Segundo a ONU, a fome pode se espalhar para todas as oito regiões do sul da Somália dentro de dois meses por causa das fracas colheitas e do surto de doenças infecciosas.

Mark Bowden, coordenador de medidas humanitárias da ONU na Somália, disse ainda que o conflito, que dura 20 anos, tornou extremamente difícil para as agências humanitárias operarem e chegarem às comunidades no sul do país.

O sul é controlado por insurgentes islâmicos do Al-Shabaab, ligado à Al-Qaeda, que estão lutando para derrubar o governo apoiado pelo Ocidente. O grupo também controla parte da capital Mogadíscio e o centro da Somália, impedindo a distribuição de ajuda humanitária.

Nas regiões mais atingidas, Bakool e Baixa Shabelle, metade das crianças estão subnutridas. "Cada dia de atraso em ajuda é literalmente uma questão de vida ou morte", afirmou Bowden. "É provável que milhares morram, a maioria crianças".

Além da Somália, Quênia, Uganda, Etiópia e Djibouti estão entre os países atingidos pela estiagem na região do Chifre da África. / REUTERSN

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