REUTERS/Mike Segar
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ONU define 2018 como pior dos últimos 5 anos para trabalhadores humanitários

No ano, 131 trabalhadores humanitários morreram e 144 ficaram feridos em conflitos registrados em 35 países

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2019 | 04h24

A Organização das Nações Unidas (ONU) informou nesta segunda-feira, 19, que 131 trabalhadores humanitários morreram e 144 ficaram feridos em conflitos registrados em 35 países ao longo de 2018, o pior dos últimos cinco anos e o segundo mais preocupante entre todos que já foram contabilizados.

"O ano passado foi o pior da violência e da violência contra os trabalhadores humanitários dos últimos cinco anos e o segundo pior desde que há registros", disse em entrevista coletiva na sede das Nações Unidas, em Nova York, a subsecretária-geral da ONU para Assuntos Humanitários, Ursula Mueller.

Segundo a subsecretária-geral, em 2018, 405 trabalhadores foram vítimas de violência, incluindo 131 mortos, 144 feridos e 130 sequestrados, em 35 países afetados por diferentes crises. E, desde o início de 2019, "156 trabalhadores sofreram ataques, com 57 mortos, 59 feridos e 40 sequestrados".

"Mas, apesar desses riscos, mais de meio milhão de trabalhadores humanitários profissionais trabalham todos os dias para proteger, assegurar e melhorar as vidas de dezenas de milhares de pessoas vulneráveis", ressaltou Mueller.

O anúncio da "número dois" do Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) foi realizado por causa do Dia Internacional da Ajuda Humanitária, no qual são homenageados os trabalhadores que arriscam a vida para prestar socorro em situações de crise.

Neste ano, a ONU decidiu homenagear as mulheres envolvidas nesses trabalhos que. Segundo Mueller, elas representam 40% das pessoas que participam dessas atividades.

Mueller, que destacou o papel fundamental das trabalhadoras humanitárias comentou que elas favorecem o acesso às necessidades das mulheres e meninas em situações de dificuldade. Além disso, pediu um maior papel para as profissionais deste setor na "tomada de decisões humanitárias".

A subsecretária-geral enfatizou que era necessário haver mais mulheres participando na elaboração e na implementação dos programas. A OCHA lançou nesta segunda uma campanha que inclui depoimentos de 24 dessas trabalhadoras nos "ambientes mais difíceis". Nos relatos, elas contam como é a rotina de quem ajuda os mais necessitados.

Dia da Ajuda Humanitária 

O Dia Internacional da Ajuda Humanitária é celebrado em 19 de agosto para lembrar o atentado contra a sede da ONU em Bagdá, no Iraque. Em 2003, nesse mesmo dia, um ataque suicida com explosivos matou 22 pessoas e feriu mais de cem.

Mueller informou que, desde então, "mais de 4.508 morreram, ficaram feridos, foram detidos, assaltados ou sequestrados enquanto realizavam o seu trabalho, o que equivale a 280 ataques contra trabalhadores humanitários a cada ano".

"Enquanto o respeito às leis da guerra enfraquece no mundo todo, os trabalhadores humanitários ficam cada vez mais vulneráveis quando são mais necessários do que nunca", contextualizou. EFE

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