ONU denuncia abusos contra crianças refugiadas

As Nações Unidas e uma grande agência de ajuda a crianças afirmaram nesta terça-feira que os funcionários de muitas agências humanitárias foram acusados de explorar sexualmente crianças refugiadas do oeste da África, a quem eles, supostamente, deveriam ajudar.O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) e a agência Save the Children, da Inglaterra, divulgaram um quadro geral das revelações feitas por uma investigação encomendada por ambos sobre a violência sexual e a exploração de crianças em campos de refugiados da Libéria, Guiné e Serra Leoa - "a qual, em grande parte, é supostamente levada a cabo por funcionários contratados localmente pelas ongs nacionais e internacionais, como também por agências da ONU, como o Acnur".As organizações não-governamentais (ongs) são outra denominação para as muitas agências humanitárias que ajudam os países cuja população é vítima de guerras, doenças, fome e desastres naturais.A equipe descobriu "uma cultura difusa de exploração", disse Paul Nolan, administrador da Save the Children, encarregado das políticas de proteção às crianças. "Uma vasta gama de pessoas em posições de de autoridade e confiança estava abusando disso. Tudo em troca de favores sexuais", afirmou ele numa entrevista por telefone em Londres.A maioria das vítimas eram meninas, disse ele. Mas também há alguns casos envolvendo meninos, que foram vítimas de mulheres que trabalhavam para as ongs. Os investigadores deixaram claro que não podiam checar as alegações. "Mesmo assim, o número de denúncias não deixa dúvidas de que há um problema sério de exploração sexual", anunciaram as duas organizações. Nolan disse que as crianças contaram aos investigadores, que muitos indivíduos, inclusive das forças de segurança, obtinham favores em troca de comida e dos serviços das agências humanitárias. "Os serviços eram suspensos, a não ser que as crianças fornecessem favores sexuais", declarou Nolan."As crianças estão numa situação desesperadora. Para poder sobreviver, elas precisam escolher entre sair à procura de alimentos ou vender a si próprios, a única moeda que lhes restou", afirmou Nolan. Na investigação, "o que veio à tona foi um problema bastante difundido e que também incluía pessoas que, na verdade, tinham a incumbência de dar a proteção necessária às crianças", afirmou Nolan.Algumas das conseqüências são gravidez precoce, maternidade na adolescência e comportamento de alto risco, que expõe as crianças a doenças sexualmente transmissíveis, como a aids.

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