ONU denuncia crimes na Síria antes de ataque químico

Investigadores da Organização das Nações Unidas apresentaram uma ampla lista de crimes de guerra e a delitos contra a humanidade cometidos na Síria, mas não ofereceram uma conclusão sobre a questão do uso de armas químicas. A investigação foi conduzida antes do suposto ataque com armas químicas ocorrido em 21 de agosto contra civis nos arredores de Damasco.

Agência Estado

11 Setembro 2013 | 08h53

Segundo o relatório da Comissão de Investigação sobre Síria, forças leais ao regime do presidente sírio, Bashar Assad, "continuaram a conduzir amplos ataques contra a população civil, cometendo assassinatos, tortura, estupros e desaparecimentos forçados assim como crimes contra a humanidade". O documento se refere à investigação no período de 15 de maio a 15 de julho.

A comissão também denunciou que grupos antigovernamentais cometeram "crimes de guerra", incluindo assassinato, tortura e sequestro.

Desde o início do ano, a comissão concluiu que as forças leais ao governo foram responsáveis por oito massacres, enquanto as forças de oposição cometeram um. Nove outros ainda estavam sob investigação.

"Com base nas evidências atualmente disponíveis, não foi possível chegar a uma conclusão sobre os agentes químicos utilizados", os sistemas de ação ou os autores, disse a equipe de investigação sobre violações dos direitos humanos na Síria.

Por outro lado, ficou claro que "a maioria das mortes foi resultado de ataques ilegais com uso de armas convencionais".

O relatório não aborda o período após 15 de julho, que inclui a ofensiva de 21 de agosto em que há suspeitas de um ataque químico contra civis perto de Damasco. A suposta ação com agentes químicos provocou indignação internacional e ainda pode levar a ataques militares liderados pelos EUA, apesar de intensos esforços diplomáticos para evitá-los.

Os investigadores, que devem apresentar as suas conclusões ao Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra na segunda-feira, rejeitaram a ação militar como uma solução para a crise.

"Há uma necessidade urgente de uma suspensão das hostilidades e um retorno às negociações, levando a uma solução política", disse a comissão, alertando que ataques militares "não só intensificarão o sofrimento no país, mas também servirão para manter tal acordo fora do nosso alcance coletivo".

O relatório foi publicado em meio a uma esperança renovada de que uma iniciativa diplomática russa pode fazer com que o regime de Assad ceda as armas químicas, eliminando a necessidade de um ataque militar "limitado" dos norte-americanos na Síria. Fonte: Dow Jones Newswires.

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