ONU denuncia morte de 60 crianças afegãs em bombardeio

Segundo a organização, soldados afegãos e estrangeiros mataram 90 civis em ataques no oeste do país

AE/AP, Agencia Estado

26 de agosto de 2008 | 12h54

A Organização das Nações Unidas (ONU) revelou ter encontrado ''evidências convincentes'' de que a soldados afegãos e estrangeiros mataram 90 civis, entre eles 60 crianças, em recentes bombardeios contra o oeste do Afeganistão. A ONU informou ter baseado suas informações em depoimentos da população e das autoridades locais, mas não apresentou aos jornalistas fotografias nem outros tipos de evidência. De acordo com a ONU, uma investigação realizada por seus agentes resultou em "evidências convincentes, baseadas em depoimentos de testemunhas e outras pessoas, de que 90 civis foram mortos, sendo 60 crianças, 15 mulheres e 15 homens". Houve ainda 15 civis feridos, segundo a ONU.O governo do presidente Hamid Karzai, numa declaração dura, ordenou aos ministérios das Relações Exteriores e da Defesa que regulamentem a presença de tropas estrangeiras no país e tentem negociar o "fim dos ataques aéreos a alvos civis, operações de busca descoordenadas e detenções ilegais de civis afegãos". A declaração de Karzai parecia destinada tanto aos soldados dos EUA quanto às tropas da Otan.A coalizão militar liderada pelos Estados Unidos no Afeganistão alega ter matado 25 rebeldes islâmicos em um ataque aéreo contra o distrito de Shindand, na província de Herat, realizado na sexta-feira da semana passada. O comando militar americano admite que cinco civis também morreram no bombardeio e prometeu investigar o caso.Humayun Hamidzada, porta-voz de Karzai, disse hoje que a decisão do presidente foi tomada depois de funcionários do governo terem "perdido a paciência" com as tropas estrangeiras e os sucessivos casos de morte e detenção de civis em operações contra lugares remotos do país."Nós não queremos que as forças internacionais deixem o Afeganistão até que nossas instituições de segurança sejam capazes de defender sozinhas o Afeganistão", explicou Hamidzada. "Mas a presença dessas forças deve ser pautada pelas leis afegãs e pelo respeito às leis internacionais", argumentou.O capitão Mike Windsor, porta-voz da Otan em Cabul, disse que ouviu falar da decisão pela mídia, mas assegurou que a entidade ainda não foi formalmente notificada. Ele salientou que a missão da Otan "é baseada em um mandato da ONU e realizada a convite do governo afegão". O comando militar americano ainda não se pronunciou sobre o assunto.

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