ONU denuncia 'ofensiva deliberada' do Sudão contra civis

Acnur e Unamid fizeram relatório que descreve os exageros como violações de mulheres e saques

Efe

20 de março de 2008 | 15h21

Os recentes ataques do Exército sudanês contra três povos no oeste de Darfur, que deixaram pelo menos 115 mortos e 30.000 deslocados, foram uma "estratégia deliberada", na qual foram cometidas violações de mulheres, saques e destruições generalizados.   A denúncia foi feita nesta quinta-feira, 20, pelo Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur) e pela missão da ONU - União Africana para Darfur (Unamid), em um relatório que descreve os exageros cometidos.   Afirma que os povos da Sirba, Silea e Abu Suruj foram atacados, com diferença de horas, no dia 8 de fevereiro, durante uma grande ofensiva do Governo sudanês para retomar o controle do corredor norte no oeste de Darfur e expulsar o grupo insurgente Movimento de Justiça e Igualdade (MJI).   Nestes ataques, foram lançados bombardeios aéreos desde helicópteros de combate e aviação, acompanhados por uma ofensiva terrestre por parte de milicianos armados montando cavalos ou camelos, assim como das forças armadas sudanesas.   "A magnitude da destruição das propriedades civis, entre elas objetos indispensáveis para a sobrevivência, sugere que os danos foram parte integral de uma estratégia militar deliberada", observa o relatório.   Também foram descritos todo tipo de saques durante e depois dos ataques, e se constata que há "informações consistentes e críveis de violações cometidas por homens uniformizados durante e depois do ataque à Sirba".   Entre os 115 civis mortos havia "idosos, incapacitados, mulheres e crianças", continuou o relatório, além disso, 30.000 pessoas tiveram que abandonar seus lares atravessando, inclusive, para o país vizinho Chade.   "Casas de civis, clínicas de ONGs, centros comunitários, infra-estruturas para água, escolas, armazéns de comida, moinhos de grão e lojas foram saqueados sistematicamente, danificados e em muitos casos incendiados, às vezes com seus ocupantes no interior".

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