ONU denuncia racismo e violações aos direitos humanos na Bolívia

Uma agência da Organização das NaçõesUnidas (ONU) denunciou na segunda-feira que a violência degrupos opositores ao presidente boliviano Evo Morales, queassolou uma cidade do país no último fim de semana, foi umatentado aos direitos humanos com "tons de discriminaçãoracial". O pronunciamento surge em meio à polêmica provocadaprincipalmente pelas agressões sofridas por camponeses que seencontrariam com Morales na cidade de Sucre, durante uma festacívica regional. O presidente boliviano cancelou sua visita a Sucre, masisto não impediu que manifestantes opositores levassem vintecamponeses seminus até a praça central da cidade, onde foramobrigados a beijar o chão e gritar palavras de ordem contra ogoverno. "Estes incidentes violentos são incompatíveis com orespeito aos direitos humanos, ofendem a dignidade humana, osdireitos à integridade pessoal e (ao direito de) não sersubmetido a tratamento desumano e/ou degradante", disse umcomunicado do Alto Comissionado da ONU para os DireitosHumanos. Esta foi a primeira condenação de um órgão independente àviolência política na Bolívia, a pouco mais de dois meses dosreferendos revogatórios simultâneos do presidente e dosgovernadores de nove Estados. O órgão internacional "se opõe especialmente contra o tomde discriminação racial destes acontecimentos", assinalou ocomunicado. O Alto Comissionado para os Direitos Humanos pediu apunição dos responsáveis e que seja estabelecido um diálogopara baixar a tensão política na Bolívia. Em uma série de atos públicos, o presidente Morales fezsomente referências vagas ao que ocorreu em Sucre, que reanimoua tensão em sua ampla disputa contra os setores conservadoresque tentam bloquear mudanças na Constituição. Os dirigentes cívicos de Sucre, alinhados a líderes dedireita que desafiam Morales com processos de autonomia emquatro Estados, lideram há mais de um ano um movimento parafazer com que a sede do governo nacional seja transferido paraa cidade, saindo de La Paz. Essa exigência causou tensões que quase levaram aAssembléia Constituinte ao fracasso. Ela foi feita em Sucreentre agosto de 2006 e novembro de 2007, antes de ser forçada amover-se para a cidade de Oruro, onde foi aprovada uma novaCarta Magna, que ainda não entrou em vigor. Os Estados defensores da autonomia, liderados pelo ricodistrito agrícola-petrolífero de Santa Cruz, se opõe àConstituição "plurinacional" de Morales, que quer dar maispoder aos indígenas e estabelecer as bases de um governosocialista. (Por Carlos Alberto Quiroga) REUTERS MR ES

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